Capitão venezuelano que liderou ataque: soldado rebelde ou traidor?

Caracas, 7 Ago 2017 (AFP) - Patriota? Traidor? O capitão Juan Carlos Caguaripano, suposto líder do ataque a um quartel da Venezuela, é para o seu entorno um soldado valente, mas o governo o mostra como um negligente expulso da Força Armada por deslealdade.

Com roupa de batalha ao lado de 15 homens uniformizados, Caguaripano - de 38 anos, moreno e de estatura média - apareceu em um vídeo para se declarar em "legítima rebeldia" e para "desconhecer a tirania assassina de Nicolás Maduro".

Embora o governo negue, ele assegura que a gravação foi feita na 41ª Brigada Blindada de Paramacay, na cidade de Valencia, atacada no domingo de madrugada, com um balanço de dois agressores mortos.

Os invasores, liderador por Caguaripano, conseguiram pegar 100 armas, segundo o capitão Javier Nieto Quintero, companheiro em sua causa contra o governo.

Nieto assinalou à AFP da clandestinidade que Caguaripano conseguiu fugir e está "livre, bem, se comunicando e seguro".

- "Militar progressista" -Não é a primeira vez que este militar aparece em um vídeo para manifestar a sua oposição ao governo socialista.

Em 2014 também foi gravado vestindo uniforme para denunciar a repressão dos corpos de segurança, em meio a uma onda de manifestações contra Maduro que deixou 43 mortos.

Naquela situação disse falar como "o mais simples dos guardas nacionais" e da clandestinidade.

Pouco se sabe da vida particular deste ex-militar, além do fato de ser filho de um casal de professores, e que seu pai tem ascendência indígena.

Naquele vídeo, pediu perdão aos venezuelanos, e em particular a sua família, pelo uso excessivo da força. Não detalhou, entretanto, se tem esposa e filhos.

Nieto contou à AFP que impulsionou as primeiras reuniões com Caguaripano e outros oficiais da Guarda Nacional em 1999, quando se decepcionaram com o então presidente Hugo Chávez, que governou até 2013, ano em que faleceu.

"No início víamos Chávez como um Pérez Jiménez, como um militar progressista", disse Nieto em referência ao ditador venezuelano Marcos Pérez Jiménez (1953-1958), a quem atribuem grandes obras de engenharia que modernizaram o país, mas também torturas e desaparecimentos.

- "Inimigo da pátria" -Nieto define Caguaripano como "um patriota, primeiramente um soldado, um homem fiel a seus princípios", que para evitar ser capturado em 2014 "esteve escondido por dois anos nas montanhas do Panamá trabalhando".

Essa ordem de prisão veio depois de terem dado baixa por conta de um primeiro vídeo em que criticava duramente o chavismo.

O ministro da Defensa, Vladimir Padrino, disse que, durante a sua carreira militar, o capitão "foi sancionado disciplinarmente em reiteradas vezes por faltas contra a honra e a ética militar", além da negligência com os seus homens.

Declarou-o "inimigo da pátria" e o envolveu no golpe de Estado contra Chávez em 2002.

Em entrevista à CNN em Espanhol em abril de 2014, Caguaripano disse que a sua expulsão foi política.

"Não foi aberto um processo administrativo. Esta baixa tem razões política, não sou político e, portanto, desconheço essa baixa e continuo sendo capitão", declarou então.

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