ONU: investigação sobre Síria deve continuar apesar de demissão de procuradora

Nações Unidas, Estados Unidos, 7 Ago 2017 (AFP) - O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse nesta segunda-feira que a comissão das Nações Unidas que investiga os crimes de guerra na Síria deve continuar a trabalhar apesar da demissão de sua procuradora, Carla Del Ponte.

Del Ponte se demitiu em protesto à falta de acompanhamento do Conselho de Segurança da ONU aos 12 relatórios produzidos sobre os abusos aos direitos humanos e os crimes de guerra cometidos durante os seis anos de conflito.

Guterres lamentou a sua decisão, mas enfatizou a "importância de contabilizar os crimes contra civis durante o conflito", declarou o porta-voz da ONU, Stephane Dujarric, aos repórteres.

"Ele apoia o trabalho contínuo da comissão como uma parte importante e integral do processo de contabilidade", acrescentou.

Del Ponte estava trabalhando na comissão desde setembro de 2012.

A suíça de 70 anos também se envolveu na descoberta de crimes de guerra em Ruanda e na antiga Iugoslávia.

Formada pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU, a comissão tem a tarefa de reportar as violações aos direitos e os crimes de guerra na Síria, onde mais de 330.000 pessoas morreram desde o início do conflito, em março de 2011.

A comissão urgiu ao Conselho de Segurança em repetidas vezes que solicitasse ao Tribunal Penal Internacional (TPI) a abertura de uma investigação sobre os crimes de guerra na Síria.

Em 2014 o Conselho sugeriu indicar a Síria ao TPI, mas foi bloqueado por China e Rússia.

"Não posso continuar nesta comissão que não faz absolutamente nada", afirmou Del Ponte ao jornal suíço Blick, acusando os membros do Conselho de Segurança de "não querer fazer justiça".

"Antes havia o bem e mal, a oposição do lado bom e o governo no papel ruim", disse.

Hoje, "todos na Síria estão do lado ruim. O governo de [Bashar al] Assad cometeu crimes terríveis contra a humanidade e usou armas químicas. E a oposição agora é composta de extremistas e terroristas".

Acrescentou que nunca havia visto crimes como aqueles em outro lugar, nem na Iugoslávia ou em Ruanda.

Frustrada com a falta de ação do Conselho de Segurança na Síria, a Assembleia Geral da ONU de 2016 formou um painel internacional para ajudar a recolher evidências que poderiam ser usadas em casos futuros de acusações de crimes de guerra.

Catherine Marchi-Uhel, juíza francesa que enfrentou casos internacionais em Kosovo, Camboja e na antiga Iugoslávia, começará a liderar o novo painel em Genebra na terça-feira.

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