Fracassa nova moção de censura contra o presidente sul-africano

Cidade do Cabo, 8 Ago 2017 (AFP) - O presidente sul-africano, Jacob Zuma, sobreviveu nesta terça-feira a uma nova moção de censura do Parlamento, anunciou o seu presidente, Baleta Mbete.

"Os resultados da votação são os seguintes: 177 a favor da moção, 198 contra e nove abstenções", declarou Mbete, sob os aplausos dos legisladores da maioria.

As críticas contra Zuma no Congresso Nacional Africano (ANC, inglês) aumentaram após o presidente se ver envolvido em uma série de escândalos político-financeiros e por uma economia que se encontra em recessão.

Para que o presidente caísse, a moção impulsionada pelos deputados da oposição deveria ser aprovada pela maioria absoluta das 400 cadeiras, ou seja, 201 votos.

Mas parecia improvável que fosse adotada. O ANC controla a Assembleia com 249 cadeiras e na segunda-feira o partido assegurou que não tinha "nenhuma dúvida sobre o fracasso desta moção, como foi o caso de muitas outras no passado".

Zuma, de 75 anos, no poder desde 2009 e cujo mandato atual termina em 2019, já sobreviveu a três moções de censura sem voto secreto.

O ANC, no poder desde o fim oficial do apartheid em 1994, poderia limpar as suas fileiras em dezembro durante o congresso nacional, quando o mandato de Zuma à frente da formação termina.

O partido conduziu mal o seu histórico revés nas eleições municipais de agosto de 2016 e tampouco aceitou a destituição em março do ministro das Finanças Pravin Gordhan crítico da corrupção, substituído por um ministro leal ao presidente.

Também sofre com uma considerável erosão de seu eleitorado. O secretário-geral do ANC, Gwede Mantashe, reconheceu que os escândalos que afetam Zuma pesam na imagem do partido.

Os veteranos do ANC pedem que Zuma renuncie. Os sindicatos fazem o mesmo pedido, assim como personalidades políticas.

Zuma é acusado de estar sob a influência e de favorecer os interesses de uma polêmica família de empresários indianos, os Gupta.

Dois nomes circulavam para suceder Zuma à frente do ANC: o atual vice-presidente, Cyril Ramaphosa, que lidera a oposição ao presidente no partido, e Nkosazana Dlamini-Zuma, ex-dirigente da União Africana (UA) que tem o apoio do chefe de Estado, seu ex-marido.

Mbete também faz parte dos possíveis candidatos. Sua decisão de organizar uma votação secreta é "surpreendente" dada a lealdade sem falhas, até agora, a Zuma, segundo a analista Judith February.

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