Trump promete 'fogo e ira' à Coreia do Norte

Bedminster, Estados Unidos, 9 Ago 2017 (AFP) - O presidente americano, Donald Trump, prometeu nesta terça-feira responder com "fogo e ira" à Coreia do Norte caso o país prossiga com suas ameaças aos Estados Unidos pelo desenvolvimento de seu arsenal nuclear.

"É melhor que a Coreia do Norte não faça mais ameaças aos Estados Unidos. Enfrentarão fogo e ira como o mundo nunca viu", declarou Trump em seu clube de golfe em Bedminster, Nova Jersey, onde passa férias.

Horas mais tarde, a Coreia do Norte disse que considerava a possibilidade de lançar mísseis balísticos de alcance intermediário contra as imediações das bases militares americanas na ilha de Guam, no Pacífico.

O plano pode ser colocado em prática "a qualquer momento", assim que o líder norte-coreano Kim Jong-Un tomar uma decisão, informou a agência oficial de notícias norte-coreana KCNA.

Não ficou claro se a ameaça é uma resposta às declarações de Trump.

O jornal The Washington Post informou nesta terça-feira que um relatório da Agência de Inteligência de Defesa (DIA) avalia que o regime comunista norte-coreano tem armas nucleares para colocar em seus mísseis balísticos, incluindo intercontinentais (ICBM).

O Pentágono não comentou a notícia, mas o Post destaca que as conclusões do relatório foram confirmadas por dois funcionários americanos e a CNN verificou sua autenticidade.

- Ameaça nuclear -O relatório sugere que Pyongyang está mais perto de possuir mísseis nucleares do que Washington previa.

Até o mês passado, os especialistas consideravam que a Coreia do Norte precisaria de mais dois ou três anos para desenvolver míssil balístico intercontinental (MBIC) dotado de uma ogiva nuclear.

Contudo, essa avaliação mudou repentinamente após Pyongyang testar dois mísseis ICBM.

A primeira dessas provas, que Kim descreveu como um presente aos "bastardos americanos", mostrou que o foguete pode potencialmente chegar ao Alasca. O segundo míssil testado, na semana passada, foi ainda mais longe e alguns especialistas chegaram a sugerir que Nova York pode estar vulnerável.

Trump disse que Kim Jong-Un "tem ameaçado além de sua atitude normal". "Como já disse, enfrentarão o fogo e a ira e, francamente, o poder".

Seus comentários marcam um rápido aumento da retórica de Washington, concentrado até agora em encontrar soluções não militares neste tema. A oposição não demorou a se manifestar.

"Não se enganem: a Coreia do Norte é uma ameaça real, mas a reação descomposta do presidente sugere que ele pode considerar o uso de armas nucleares em resposta a um comentário desagradável de um déspota norte-coreano", disse Eliot Engel, democrata da Comissão de Assuntos Exteriores da Câmara dos Representantes.

Ben Rhodes, ex-assessor de Barack Obama, considerou inadequada a resposta, além de como seja interpretada. "Qualquer destas ameaças anunciam uma guerra catastrófica ou são simplesmente retórica vazia que debilita a credibilidade dos Estados Unidos e desestabiliza nossas relações com outros países".

- "Preparados para nos defender" -O porta-voz do Pentágono, o tenente-coronel Chris Logan, disse que os Estados Unidos buscam uma desnuclearização pacífica da península coreana, mas advertiu que a opção militar nunca está fora da mesa.

"Continuamos preparados para nos defender e a nossos aliados, e para utilizar toda a gama de capacidades à nossa disposição contra a crescente ameaça da Coreia do Norte", disse Logan.

O subsecretário de Estado, John Sullivan, destacou que o governo americano continua trabalhando para garantir que a China e outros países imponham novas sanções a Pyongyang.

"Não vamos nos sentar à mesa até que os norte-coreanos tenham se comprometido" a deter seus testes de mísseis.

Por iniciativa de Washington, o Conselho de Segurança da ONU impôs novas medidas contra Pyongyang, que podem custar à Coreia do Norte 1 bilhão de dólares anuais e afetariam o comércio com a China, sua principal aliada e parceira econômica.

O regime de Kim Jong-Un respondeu que o endurecimento das sanções não impedirá o desenvolvimento de seu arsenal nuclear, ameaçando os Estados Unidos com "fazê-los pagar mil vezes o preço de seu crime".

O The Washington Post também informou que outra avaliação de inteligência estimou que a Coreia do Norte tem agora até 60 armas nucleares.

Apesar desses avanços, especialistas asseguram que a Coreia do Norte ainda precisa superar obstáculos para poder afirmar que conseguiu aperfeiçoar sua tecnologia de armas nucleares e alcançar o território continental americano.

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