Divisão da Índia em 1947 levou refugiados a locais históricos

Nova Délhi, 11 Ago 2017 (AFP) - A separação da Índia, há 70 anos, provocou uma das maiores migrações da história moderna, com habitantes que encontraram refúgio em antigos mausoléus ou fortes, transformados em acampamentos de refugiados.

Mais de 15 milhões de pessoas se viram obrigadas ao êxodo com o traçado das novas fronteiras após a independência, em 1947, da Índia, até então uma colônia britânica. Os muçulmanos emigraram para o que seria o Paquistão, enquanto os hindus e sikhs seguiram na direção oposta.

Ao menos um milhão de pessoas morreram durante a migração. Os outros encontraram refúgio em acampamentos insalubres, em cidades com superpopulação e carências de todo tipo, além de saques e violência.

Em Nova Délhi, dezenas de milhares de muçulmanos se refugiaram atrás dos muros do túmulo de Humayun, do século XVI, à espera da chance de fugir para o Paquistão.

Nos jardins do complexo que cercam o espetacular mausoléu inspirado no Taj Majal foram instaladas barracas. Sem banheiros, as fontes terminaram "tão cheias de excrementos humanos que tiveram que receber areia", afirma a historiadora Yasmin Khan no livro "A Grande Partição".

Rapidamente, a população de Nova Délhi passou a ser constituída por um terço de refugiados, que chegavam de todas as regiões do país.

O forte Purana Qila se tornou um dos maiores acampamentos de refugiados.

O prestigioso Khalsa College foi invadido pela comunidade sikh.

As imagens dos acampamentos de refugiados podem ser observadas nos Arquivos da Partição de 1947.

Em Amritsar, norte da Índia, um novo museu iniciou o processo de digitalização dos arquivos do período.

Mas em Nova Délhi não existe nenhum memorial ou placa que recorde este momento sombrio da história do país, que completa 70 anos na terça-feira.

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