Venezuela prende líder de ataque à base, enquanto Trump analisa 'opção militar'

Bedminster, Estados Unidos, 12 Ago 2017 (AFP) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira que não descarta "uma possível opção militar" na Venezuela, imersa em uma grave crise política e econômica, enquanto o governo de Nicolas Maduro prendia o líder do ataque a uma base militar.

"Temos muitas opções para a Venezuela, incluindo uma possível opção militar se for necessário", disse o presidente de seu clube de golfe em Bedminster (Nova Jersey), onde se encontra de férias.

Trump lembrou que a Venezuela é "vizinha" dos Estados Unidos e disse que "certamente" Washington poderia optar por uma operação militar para resolver a situação no país sul-americano, onde quatro meses de protestos contra o presidente Nicolás Maduro resultaram em violentos distúrbios, agravando a severa crise econômica que sufoca a população.

"Temos tropas no mundo todo em lugares muito distantes. A Venezuela não fica longe e as pessoas estão sofrendo e morrendo", disse a jornalistas.

O ministro venezuelano da Defesa, general Vladimir Padrino López, reagiu afirmando que a ameaça de Trump "é um ato de loucura, de supremo extremismo, de uma elite extremista que governa os Estados Unidos".

"Como soldado, junto à FANB (Força Armada Nacional Bolivariana) e junto ao povo, estou certo de que todos estaremos na linha de frente na defesa dos interesses e da soberania de nossa amada Venezuela", declarou Padrino à TV estatal.

Horas após a advertência de Trump, a Casa Branca informou que o presidente "conversará com prazer com o líder da Venezuela assim que a democracia for restaurada no país", em resposta a um pedido de Maduro neste sentido.

"Os Estados Unidos estão com o povo da Venezuela diante da contínua repressão do regime de Maduro", destacou o comunicado.

Trump analisou a crise na Venezuela na sexta-feira, ao se reunir com seu secretário de Estado, Rex Tillerson, e com a embaixadora americana na ONU, Nikki Haley.

"A Venezuela é um desastre, é um desastre muito perigoso e uma situação muito triste", declarou Trump.

Os Estados Unido não reconhecem a Assembleia Constituinte promovida por Maduro, que a oposição rejeita por considerá-la uma "fraude" que busca perpetuar o mandatário no poder.

As declarações de Trump acontecem dois dias depois de o Tesouro americano ter sancionado Adán Chávez, irmão do ex-presidente Hugo Chávez (1999-2013), e outros sete funcionários venezuelanos por promoverem a Constituinte.

- Contragolpe -Em meio às ameaças de Trump, o governo em Caracas anunciou que os líderes do ataque de domingo passado ao Forte Paramacay, no norte do país, foram capturados pelas forças de segurança.

Segundo o general Vladimir Padrino, foram capturados "os autores materiais e intelectuais do ataque paramilitar e terrorista" ao Forte Paramacay, estado de Carabobo (norte): capitão Juan Caguaripano Scott e o primeiro-tenente Jefferson García.

"Esta captura foi um duro golpe no terrorismo fascista que a direita venezuelana tem posto em prática nos últimos meses. Quem trair a pátria, quem fizer armas contra a FANB (Força Armada) e o povo receberá um castigo exemplar", acrescentou.

Na madrugada de domingo, cerca de vinte homens invadiram o Forte Paramacay. Dois atacantes foram mortos em combates que se estenderam por três horas e oito foram detidos, entre eles um homem ferido.

O grupo era encabeçado por Caguaripano, que estava no exílio depois de ser expulso em 2014 da Força Armada por rebelião e traição.

Após o ataque, Caguaripano conseguiu fugir e subtrair armas da instalação, assim como García, acusado de ter vazado informação aos atacantes sobre a segurança do Forte Paramacay. Segundo Padrino, era o encarregado pelo armamento.

A tensão é crescente na Venezuela, em meio a protestos que exigem a saída do poder de Maduro e que já deixaram 125 mortos em quatro meses, aprofundada por uma Assembleia Constituinte instalada na semana passada que a oposição qualifica como uma manobra para instaurar uma ditadura.

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