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Integração de imigrantes muçulmanos avança em cinco países europeus

24/08/2017 12h18

Bruxelas, 24 Ago 2017 (AFP) - A integração de imigrantes muçulmanos registra "verdadeiros avanços" na Alemanha, França, Reino Unido, Suíça e Áustria, apesar dos obstáculos na área de educação e no acesso ao emprego, de acordo com um estudo do instituto alemão Bertelsmann.

"A partir da segunda geração, no mais tardar, a maioria (dos muçulmanos) se integrou à sociedade geral", destaca o Bertelsmann Stiftung em um comunicado publicado por ocasião da publicação do estudo "Religion Monitor".

Para realizar a pesquisa, o instituto entrevistou 1.000 pessoas representativas da população e 500 muçulmanos em cada um dos cinco países.

O instituto observou vários indicadores de integração para os muçulmanos - que representam 5% da população na Europa ocidental -, como o nível de educação, emprego e remuneração, o vínculo declarado com o país de origem, ou o tempo livre que passam com pessoas de outras religiões.

"Esta integração bem-sucedida é ainda mais notável pelo fato de que nenhum dos cinco países oferece meios estruturais adequados para a participação (na sociedade), e os muçulmanos enfrentam uma rejeição aberta de quase um quinto da população", destaca o Bertelsmann.

O instituto afirma que, na segunda geração, 67% dos descendentes de imigrantes que se declaram muçulmanos prosseguem os estudos, além do Ensino Médio (17 anos). Afirmam estar em grande parte "conectados" com o país de acolhida (96% na França e na Alemanha), mesmo com as demonstrações de rejeição.

Na Áustria, por exemplo, 28% dos entrevistados dizem que não querem ter vizinhos muçulmanos. Em seguida, vêm Reino Unido (21%), Alemanha (19%), Suíça (17%) e França (14%). Os percentuais de rejeição são muito inferiores quando as perguntas envolvem a possibilidade de vizinhos homossexuais, ou "com uma cor de pele diferente".

Na França, a taxa de interrupção da escolaridade após os 17 anos é pequena (11%, contra 36% na Alemanha). O estudo aponta, porém, uma "discriminação no mercado de trabalho" do país, que se traduz em um índice de desemprego de 14% para os imigrantes muçulmanos, contra 8% da população analisada na pesquisa.

A situação é quase o inverso da Alemanha, onde apenas 64% dos imigrantes muçulmanos continuaram os estudos depois dos 17 anos.

Mas "a capacidade de absorção do mercado de trabalho é relativamente boa", o que explica o nível de desemprego de 5% entre os imigrantes muçulmanos, enquanto entre a população total é de 7%.

Em todos os casos, no entanto, suas remunerações são inferiores à média.

O instituto defende que os países analisados incentivem a diversidade, concedendo ao Islã "o mesmo estatuto legal que a outros grupos religiosos institucionais" e promovendo "os contatos interculturais e inter-religiosos".

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