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Naufrágios no Pará e na Bahia deixam quase 40 mortos

24/08/2017 18h13

Salvador, 24 Ago 2017 (AFP) - Pelo menos 39 pessoas morreram em dois naufrágios ocorridos nas últimas 48 horas nos estados do Pará e Bahia, segundo os balanços oficiais mais recentes, publicados nesta quinta-feira.

O último acidente aconteceu nesta quinta, quando uma embarcação com 120 pessoas a bordo naufragou durante o trajeto entre a ilha de Itaparica e Salvador, deixando ao menos 18 mortos, informou a Marinha à AFP.

Inicialmente, as autoridades haviam informado que 22 pessoas tinham morrido no acidente. Mais tarde, o comandante Flávio Almeida atualizou a cifra com base em informações do Instituto Médico Legal, encarregado das autópsias.

Os corpos foram recuperados por embarcações oficiais e de particulares, o que resultou na divergência na contagem.

A Marinha resgatou 21 pessoas com vida, e outras dezenas foram socorridas por voluntários no local, segundo Almeida.

A Secretaria de Saúde do Estado da Bahia informou que 89 pessoas foram levadas para atendimento médico, nenhuma delas em estado grave.

O comandante Almeida disse à AFP que não foram encontradas mais pessoas na Bahia, embora suas equipes continuem trabalhando no local, ampliando, inclusive, seu raio de ação para se certificar de que não há mais vítimas.

Também houve discrepâncias sobre a quantidade de passageiros na embarcação. Primeiro se falava de 133, que segundo o portal G1 foi corrigido para 120. A dificuldade para estabelecer um balanço total de pessoas a bordo se deveria ao fato de nem todos terem se registrado na lista de viagem.

"Estava chovendo [...]. Veio uma onda e virou. Tinha muita gente", comentou Edvaldo Santos de Almeida, um dos sobreviventes, em declarações ao G1 após ter chegado a Salvador. Santos de Almeida diz ter ficado duas horas no mar e questionou a "demora" no atendimento às vítimas.

O governo do estado decretou três dias de luto oficial. "Estou acompanhando pessoalmente esta difícil operação desde cedo e todas as providências foram tomadas imediatamente", disse o governador, Rui Costa.

- Tragédia amazônica -Na terça-feira à noite, um barco com 49 pessoas a bordo afundou no rio Xingu, no Pará. Segundo o último balanço, 21 pessoas morreram e 23 foram resgatadas, enquanto continuam os trabalhos de busca dos cinco passageiros restantes, informou a Defesa Civil.

O balanço anterior era de 10 óbitos, mas outros nove corpos foram encontrados na manhã desta quinta. Depois das 11h00, a imprensa local informou que, segundo relatos da Secretaria Estadual de Segurança Pública do Pará, foram encontrados outros dois mortos.

O navio "Capitão Ribeiro" naufragou às 22h00 de terça na área chamada Ponte Grande do Xingu, quando se dirigia de Porto de Moz para Senador José Porfírio. Havia saído de Santarém na segunda-feira.

Alguns sobreviventes relataram às autoridades e à imprensa local que chovia quando houve o acidente e que uma tromba d'água atingiu o barco, que virou e afundou.

A Polícia Civil investiga a causa do acidente, e a Agência Estadual de Regulação e Controle de Serviços Públicos do Pará informou ao G1 que a empresa dona do transporte operava de forma ilegal.

"Lamentamos profundamente a perda de dezenas de vidas nos acidentes com embarcações no Pará e na Bahia. Nossa solidariedade às famílias", tuitou o presidente Michel Temer.

Os acidentes nos rios do Amazonas são recorrentes. Segundo estatísticas do jornal Folha de S.Paulo, pelo menos 1.160 pessoas morreram em naufrágios na região desde 1981, ano em que 770 passageiros faleceram em dois acidentes no Pará, os maiores da história recente.

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