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Ex-candidato presidencial do Panamá investigado por Odebrecht é detido no aeroporto

29/08/2017 22h33

Panamá, 30 Ago 2017 (AFP) - O ex-candidato das eleições presidenciais de 2014 do Panamá, José Domingo Arias, foi detido quando tentava deixar o país e conduzido, nesta terça-feira, ao Ministério Público, que investiga possíveis doações da Odebrecht à sua campanha, informou seu advogado.

Arias, do partido do ex-presidente Ricardo Martinelli, foi interceptado horas antes no aeroporto internacional de Tocumen e enviado à Promotoria Especial Anticorrupção para contribuir com o inquérito.

Após várias horas de interrogatório ele foi enviado a uma cela da Direção de Investigação Judicial, na Cidade do Panamá.

O advogado de Arias, Armando Fuentes, disse a jornalistas que a detenção é "provisória" por "48 horas".

Horas antes, Fuentes tinha dito que seu cliente havia sido conduzido do aeroporto "a fim de comparecer ao Ministério Público".

"Realmente não sabemos quais são as razões para o MP pedir essa condução e detê-lo no aeroporto", completou.

Arias, que perdeu a eleição para o atual presidente, Juan Carlos Varela, era o candidato governista nas eleições de 2014, pelo partido Cambio Democrático (CD, de direita), cujo titular era Martinelli.

A promotoria também investiga o caso dos marqueteiros João Santana e Mônica Moura, que fizeram a campanha de Arias.

O casal confessou ter recebido milhões de dólares no Panamá para financiar campanhas presidenciais.

Mônica Moura disse, em delação premiada, que em 2012 se reuniu com Martinelli para fixar o custo da campanha em 21 milhões de dólares, dos quais 16 milhões seriam pagos pela Odebrecht, segundo acusações.

Martinelli, detido em Miami, é acusado pela Justiça panamenha de espionagem e é investigado por diversos casos de corrupção.

Arias já prestou diversos depoimentos ao MP e sustenta que não recebeu doações da construtora e que vai que voltar a depor "todas as vezes" que for necessário para esclarecer o caso.

A procuradora-geral, Kenia Porcell, anunciou no começo de agosto que a Odebrecht concordou em pagar uma sanção de 220 milhões de dólares ao Panamá e colaborar com as investigações de corrupção.

A construtora admitiu ter pagado 59 milhões de dólares em propinas a funcionários do governo do Panamá entre 2010 e 2014.

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