Debate na TV alemã: última chance para o adversário de Merkel

Berlim, 1 Set 2017 (AFP) - De um lado, a impassível chanceler Angela Merkel, do outro, seu entusiasmado rival Martin Schulz. O duelo televisionado de domingo na Alemanha será um confronto de personalidades e a última cartada para o social-democrata antes das eleições.

"Sua última oportunidade" para mudar a tendência negativa antes das legislativas de 24 de setembro, resume esta semana o jornal Handelsblatt sobre o presidente dos social-democratas do SPD.

Pesquisa após pesquisa, os social-democratas continuam cerca de 15 pontos de distância dos conservadores da chanceler, ao que tudo indica, pressagiando um quarto mandato e um recorde de longevidade no poder na Alemanha pós-guerra.

"O mais importante para nós é recuperar o tempo perdido e o duelo de domingo terá um papel importante", reconhece um dos dirigentes do SPD Thomas Oppermann.

- Vinte milhões de telespectadores -O duelo de uma hora e meia transmitido à noite nas quatro grandes emissoras de televisão será o único da campanha e deverá ser visto, ao menos, por 20 milhões de pessoas, um terço do eleitorado.

Diante da racional Angela Merkel, de 63 anos, filha de um pastor protestante da República Democrática Alemã, o formato televisionado parece mais adequado para o caráter eloquente do ex-presidente do Parlamento europeu, dois anos mais novo.

Schulz, nascido na Alemanha Ocidental católica, gosta de se apresentar como o "homem do povo" e lembrar que é um alcoólatra arrependido que começou a sua carreira como livreiro.

"O duelo televisionado, como a espontaneidade e a eloquência, não são realmente as qualidades de Merkel, que parece um pouco antipática. Schulz poderia se beneficiar", assinala o chefe do instituto Forsa, Manfred Güllner.

É por isso que a chanceler insistiu em não mudar o formato de debate e rechaçou propostas das emissoras que queriam torná-lo mais vivo?

A Federação de Jornalistas alemães mostrou a sua "surpresa" de ver que Merkel "queria ditar de maneira evidente às emissoras a direção do duelo televisionado".

O redator-chefe da emissora pública ZDF reconheceu nesta sexta-feira que a chanceler ameaçou não participar se rejeitassem as suas condições.

A oposição de estilo e posicionamento de campanha não poderia, em todo caso, ser mais marcada.

- Schulz ao ataque -Martin Schulz "aposta tudo no ataque", considera o Die Zeit. Esta estratégia, já usada nas últimas semanas, não o fez subir nas pesquisas.

Até chegou a acusar a chanceler de "atentar contra a democracia" querendo fugir do debate e contentando-se com suas conquistas.

"Schulz deve ser vivo e apaixonado durante o debate, mas terá que tomar cuidado para não atacar demais Merkel, sobretudo pessoalmente. Os alemães não querem isso", adverte Oskar Niedermayer, cientista político na Universidade Livre de Belim.

A chanceler continua fiel a sua estratégia: contornar os problemas, fazer frente às dificuldades e apostar no balanço desde a sua chegada ao poder em 2005, com uma taxa de desemprego historicamente baixa.

A questão da imigração, que a enfraqueceu como nunca após a chegada de mais de um milhão de demandantes de asilo em 2015 e 2016, passou para um segundo plano na visão dos eleitores.

Angela Merkel sabe que tranquiliza boa parte da opinião preocupada com o crescente populismo no mundo, o Brexit e a chegada de Donald Trump ao poder nos Estados Unidos.

Segundo uma pesquisa, 64% dos alemães acreditam que ela que vencerá a batalha de domingo.

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