Estados Unidos se recupera após passagem de Harvey

Port Arthur, Estados Unidos, 2 Set 2017 (AFP) - Uma semana depois da passagem do furacão Harvey, milhões de habitantes do sul dos Estados Unidos se esforçam para retomar suas vidas em bairros convertidos em ilhas, limitados pelas dificuldades de abastecimento, cortes de energia e paralisação de transportes.

Para dezenas de milhares de habitantes, instalados nos centros de acolhida, o retorno a seus lares é impensável dada à lentidão da diminuição do nível da água.

As casas permaneceram abandonadas durante vários dias, com uma água com lama que chegou à altura das janelas, por vezes mais acima, e os carros prontos para ir ao desmanche.

Ao voltar para casa em Port Arthur nesta sexta-feira, Tobias James encontrou seus dois veículos cheios de água, incluindo um Dodge totalmente novo. "O seguro de um deles venceu há anos", lamentou, enquanto se consolava pensando que todos os seus familiares estavam bem.

Este homem de 37 anos, funcionário de uma refinaria, disse que se lembrará para sempre do resgate em um helicóptero: "primeira vez na minha vida que voei, nunca havia estado tão alto".

No norte de Houston, um incêndio atingia nesta sexta-feira a fábrica de produtos químicos da empresa francesa Arkema, segundo imagens aéreas divulgadas pelos canais de TV.

"É a reação que temíamos que ocorresse. As medidas já foram adotadas e a área, evacuada. Não há pessoas na zona", disse à AFP um funcionário da fábrica.

A unidade fabrica peróxidos orgânicos, um composto extremamente inflamável e cuja fumaça é tóxica.

No total, nove contêineres com 225 toneladas de peróxido orgânico estavam na unidade, e um deles já queimava desde a quinta-feira.

O incêndio era esperado após a fábrica ser inundada, o que paralisou o sistema de refrigeração de compostos químicos que precisam ser mantidos a baixa temperatura.

- Retorna o beisebol -Na cidade portuária de Rockport, a sudoeste de Houston, as escolas permaneciam fechadas e o fornecimento de energia, interrompido. Algumas casas ameaçam desmoronar, junto a outras que já formam montanhas de escombros.

Nesta cidade, atingida pelo furacão de sexta-feira, os postes caíram e uma igreja ficou sem teto. O dano dentro das casas era enorme. O vice-presidente, Mike Pence, viajou para Houston na quinta-feira e prometeu às vítimas que não serão esquecidas.

A situação em Houston e na vizinha Corpus Christi voltava lentamente à normalidade, com a retomada da energia, do transporte público e as amplas operações de limpeza.

O time local de beisebol, Houston Astros, anunciou que poderá jogar as partidas marcadas na cidade para este fim de semana, contra os Mets, de Nova York.

"Será emocionante", disse o técnico A.J. Hinch. "Não se pode imaginar a importância de estar em casa quando te proibiram de voltar para casa".

- Do salvamento à recuperação -"O Texas está em processo de rápida recuperação graças aos homens e mulheres que trabalharam duramente, mas ainda resta muito a fazer", tuitou Donald Trump nesta sexta-feira.

O presidente viajará para as zonas atingidas no sábado para se reunir com as vítimas do Harvey, e a Casa Branca solicitará ao Congresso o desbloqueio de 5,9 bilhões de dólares em fundos de emergência para ajudar as vítimas.

O prefeito de Houston, Sylvester Turner, pediu aos moradores de bairros inundados perto de dois reservatórios que deixem a área, que pode permanecer por mais duas semanas debaixo d'água.

Moradores destas urbanizações de 15.000 e 20.000 casas construídas perto dos reservatórios de Addicks e Barker se negavam a sair.

Harvey causou pelo menos 42 mortes, mas este número pode aumentar, pois os socorristas temem que sejam encontradas mais vítimas.

A Agência Federal de Gestão de Emergências (FEMA) anunciou nesta sexta que resgatou mais 4.500 vítimas do desastre e 200 animais de estimação.

- Evacuação de hospital -Os danos materiais são calculados entre 30 e 100 bilhões de dólares.

Em um hospital da cidade de Beaumont, no sudeste do Texas, helicópteros e unidades Black Hawks do Exército evacuaram na quinta-feira os pacientes em situação mais crítica dos 200 que estavam no edifício, e outros foram levados por via terrestre.

E um novo motivo de preocupação se aproxima, com a presença no Oceano Atlântico de um novo furacão, Irma, que se dirige ao sul do Caribe e chegará lá no início da semana.

Com ventos de 175 km/h, "Irma se tornará um poderoso furacão durante vários dias", segundo o Centro Nacional de Furacões (NHC, em inglês).

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