Ajuda humanitária é suspensa no noroeste de Mianmar por causa dos combates

Yangon, 2 Set 2017 (AFP) - O Programa Mundial de Alimentos (PMA) suspendeu a distribuição de ajuda humanitária no estado birmanês de Rakhine, onde dezenas de milhares de pessoas deixaram suas casas devido aos combates entre o exército e os rebeldes muçulmanos rohingyas.

A situação é extremamente tensa para as organizações humanitárias, incluindo o PAM, depois que o governo birmanês, liderado de fato pela ex-dissidente e vencedora do Prêmio Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, os criticou após encontrar rações nos acampamentos dos rebeldes.

"Todas as operações de ajuda alimentar no estado de Rakhine foram suspensas no início dos ataques, afetando 250 mil pessoas deslocadas e outras populações vulneráveis", indicou o PAM em um comunicado.

Cerca de 120 mil rohingyas vivem em acampamentos de refugiados em Sittwe, capital do estado de Rakhine, desde 2012, quando ocorreram violentos confrontos interreligiosos. Eles não têm acesso ao mercado de trabalho e seus deslocamentos são limitados, dependendo, portanto, da ajuda alimentar externa para sobreviver.

As organizações humanitárias têm sido regularmente acusadas de favorecer a comunidade rohingya e agora, com a escalada da violência, foram forçadas a encerrar seu trabalho.

"Nós estamos em contato com as autoridades para retomar a distribuição de alimentos entre todas as comunidades afetadas, incluindo qualquer pessoa atingida pelos distúrbios atuais", indicou o PAM.

A luta contra os rebeldes muçulmanos no noroeste do país deixou quase 400 mortos em uma semana, principalmente combatentes rohingyas, enquanto mais de 47.000 pessoas fugiram para o Bangladesh, segundo a ONU.

Os combates começaram no dia 25 de agosto, quando centenas de homens, que fariam parte do Arakan Rohingya Salvation Army (ARSA), atacaram várias delegacias de polícia do estado de Rakhine, dando lugar aos maiores episódios violentos há meses.

- 'Impacto real' -Os confrontos levaram milhares de civis, principalmente membros da minoria rohingyas, perseguida, a abandonar suas casas.

Mais de 400.000 rohingyas se encontram em Bangladesh, um país que não quer mais acolhê-los e que fechou sua fronteira com Mianmar.

Os rohingyas, muçulmanos sunitas, falam um dialeto de origem bengali utilizado no sudeste de Bangladesh, de onde são originários.

Quase um milhão deles moram em Mianmar, país majoritariamente budista, boa parte nos campos de refugiados, principalmente no estado de Rakhine, no noroeste do país.

Na sexta-feira, o exército birmanês anunciou em seu Facebook que "os corpos de 370 terroristas foram encontrados" e que 15 soldados e 14 civis morreram nas operações. O último balanço fornecido há alguns dias falava de 110 mortos.

As autoridades de Mianmar rejeitam a ajuda oferecida por grupos humanitários estrangeiros para os deslocados de Rakhine, segundo um comunicado da Comissão Europeia.

Enquanto as operações militares continuam, a divisão de Defesa Civil e Operações de Ajuda Humanitária Europeias (ECHO) afirmou que os acessos ao estado de Rakhine foram cortados e alertou qye a "propaganda anti-ONU e anti-ONGs nas redes sociais em Mianmar continua".

A violência tem aumentado, mas a ajuda médica e alimentar deixou de chegar em vários acampamentos, segundo Pierre Peron, porta-voz das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários.

"A ajuda humanitária normalmente é enviada a pessoas vulneráveis por uma boa razão, porque dependem dela", lamentou em um comunicado, acrescentando que a interrupção de tal assistência "tem um impacto humano muito real".

O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, pediu na sexta-feira "moderação" às forças de segurança diante do risco de uma "catástrofe humanitária".

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