Moscou convoca número 2 da embaixada americana para explicações

Moscou, 2 Set 2017 (AFP) - A Rússia convocou, neste sábado (2), o número 2 da embaixada americana em Moscou, em protesto pelas buscas nas instalações de sua missão comercial em Washington, fechada pela Casa Branca.

A revista começou após o fechamento do edifício, às 18H00 GMT (15H00 em Brasília), na presença de representantes da embaixada russa, segundo a agência de imprensa da Rússia Ria Novosti.

"Foi autorizado aos funcionários da embaixada assistir às revistas após as solicitações insistentes da Rússia", disse Nikolai Lajonine, porta-voz da embaixada russa, à Ria Novosti.

O ministro russo de Relações Exteriores indicou ter convocado, horas antes, Anthony Godfrey e ter entregado uma "carta de protesto".

Godfrey é atualmente o mais alto diplomata americano em funções em Moscou. O embaixador John Teff anunciou em julho sua intenção de deixar Moscou no início de setembro.

O governo dos Estados Unidos ordenou na quinta-feira o fechamento, antes do fim de sábado, do consulado russo de San Francisco e das missões comerciais em Washington e Nova York, em resposta à drástica redução de 755 diplomatas e funcionários, russos e americanos, na Rússia, ordenada no final de julho por Vladimir Putin em reação às novas sanções econômicas aprovadas por Washington.

As autoridades americanas não confirmaram oficialmente que vão realizar buscas nos edifícios diplomáticos russos nos Estados Unidos.

De acordo com a nota de protesto entregue a Godfrey, a Rússia considera "ilegítimas" as buscas em seus edifícios diplomáticos na ausência de representantes oficiais do Estado russo.

"As autoridades americanas devem parar suas violações flagrantes do direito internacional e abster-se de infringir a imunidade das instituições diplomáticas russas", diz o comunicado.

As buscas e a "ameaça de derrubar a porta de entrada" são "um ato de agressão sem precedentes, que poderia ser utilizado pelos serviços especiais americanos para organizar uma provocação contra a Rússia por meio de objetos incriminatórios que seriam colocados lá" por esses mesmos serviços, de acordo com a diplomacia russa.

Moscou "reserva-se o direito de tomar medidas de retaliação com base na reciprocidade", assegura a mesma fonte.

Em San Francisco, testemunhas disseram ter visto, na sexta-feira, uma fumaça negra sair da chaminé do consulado russo. Isso aconteceu por causa de "medidas para preservar o edifício", disse sem mais detalhes a porta-voz do ministério russo de Relações Exteriores, Maria Zajarova.

- Reunião Lavrov-Tillerson -Após o anúncio do fechamento desses locais diplomáticos, Moscou lamentou "uma escalada" das tensões iniciadas por Washington.

Esses episódios ilustram a incapacidade da Casa Branca e do Kremlin de melhorarem as relações dos dois países, sete meses após a chegada de Donald Trump ao poder.

Mas o chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, pareceu não querer responsabilizar o governo Trump pela tensão atual, afirmando, na sexta-feira, que "toda esta história foi lançada pela administração Obama para prejudicar as relações russo-americanas e impossibilitar Trump de superar a crise".

Segundo Lavrov, o Congresso e o "establishment" americano "tentam atar os pés e as mãos (da administração Trump), inventar uma suposta ingerência russa, um vínculo entre ele e Rússia, entre sua família e Rússia".

O secretário de Estado americano, Rex Tillerson, tinha anunciado na quarta-feira, por telefone, a Lavrov a decisão de fechar os consulados russos nos Estados Unidos.

Os dois vão se encontrar em setembro, provavelmente na Assembleia Geral da ONU em Nova York.

"Não queremos um enfrentamento com os Estados Unidos" declarou na sexta-feira Lavrov, que disse buscar "enfoques baseados no respeito mútuo" para alcançar "compromissos" com Washington.

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