Merkel mais favorita do que nunca após debate televisivo

Berlim, Alemanha, 4 Set 2017 (AFP) - Angela Merkel confirmou, no domingo à noite (3), seu favoritismo nas eleições legislativas alemãs durante o único debate televisivo. Seu adversário precisava de uma vitória para inverter o cenário, mas fracassou em sua tentativa.

"O duelo televisivo representou a virada esperada pelo social-democrata Martin Schulz?", questionou o jornal "FAZ", sentenciando em seguida: "Certamente não".

"Merkel se mostrou segura, enquanto Schulz praticamente não teve sucesso em suas ofensivas", concordava o jornal "Süddeutsche Zeitung", após o debate exibido ao vivo pelas quatro principais emissoras alemães e assistido por 16 milhões de pessoas, um quarto do eleitorado.

O líder do SPD deveria, imperativamente, destacar-se diante das câmeras para diminuir a distância da chanceler conservadora.

Mais eloquente e espontâneo que Angela Merkel, o ex-presidente do Parlamento Europeu parecia, inicialmente, mais bem armado para vencer o debate. Do ponto de vista das pesquisas das emissoras, o objetivo não foi alcançado.

No poder há 12 anos, a chanceler foi considerada mais convincente para 55%, contra 35%, segundo enquete feita pela ARD, assim como para 32% contra 29%, de acordo com o ZDF.

Difícil crer em uma recuperação do SPD, que está 15 pontos atrás nas intenções de voto, a apenas três semanas da eleição.

Enquanto a equipe de Martin Schulz prometia um candidato na ofensiva, o debate foi globalmente muito comedido.

O SPD enfrenta um grande problema estrutural: não tem sido capaz de apresentar um programa político claramente diferente.

Uma das causas: com exceção de um intervalo de quatro anos, desde a chegada de Angela Merkel ao poder, em 2005, o SPD fez parte de todos os governos de coalizão da chanceler.

O partido parecia ter encontrado uma solução no início do ano, apresentando um "homem novo" no cenário político alemão, Martin Schulz, que construiu sua carreira em Bruxelas.

Com seus resultados econômicos invejáveis - desemprego em um nível historicamente baixo - e com sua política moderada e centrista, Angela Merkel oferece, porém, poucos ângulos de ataque aos social-democratas.

"Assistimos a uma entrevista de emprego do futuro ministro das Relações Exteriores diante daquela que provavelmente será sua chefe", repreendeu um dos membros da família política da chanceler, Karl-Theodor zu Guttenberg.

Recentemente, Angela Merkel se viu em uma situação delicada após sua decisão, há dois anos, de abrir as fronteiras do país para centenas de milhares de migrantes. Ela ainda mantém sua posição, considerando o gesto "justificado", diante da situação humanitária da época e da recusa da Hungria de Viktor Orban de aceitar os refugiados.

Quanto ao restante, puxou o tapete de seu rival sobre a Turquia, área em que Martin Schulz esperava se destacar, mostrando mais firmeza do que a chanceler diante da deterioração dos direitos humanos no país.

Angela Merkel não lhe deu oportunidade, ao anunciar seu apoio à suspensão das negociações de adesão da Turquia à UE.

"Eu não vejo uma adesão possível e nunca acreditei que pudesse acontecer", disse ela, acrescentando que a questão era apenas sobre quem - da Turquia, ou da UE - "fecharia a porta" primeiro.

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