Vice-presidente uruguaio fez uso 'inaceitável' de dinheiro público

Montevidéu, 4 Set 2017 (AFP) - O vice-presidente Raúl Sendic incorreu em um "proceder inaceitável" no uso do dinheiro público quando era presidente da petroleira estatal Ancap, determinou um Tribunal de Ética da Frente Ampla, coalizão que governa no Uruguai, informaram meios locais.

Sendic está envolvido há algum tempo em um escândalo pelo uso de um título falso e a utilização inapropriada de cartões de crédito corporativos da Ancap.

O Tribunal de Conduta Política da esquerdista Frente Ampla entregou nesta segunda-feira a um dos delegados o seu relatório, que deverá ser discutido em 9 de setembro no plenário da coalizão.

No entanto, meios de comunicação locais divulgaram em seus sites trechos das conclusões.

"O quadro-geral que apresenta os atos relatados de Cro. Sendic não deixa dúvidas de um modo de proceder inaceitável no uso do dinheiro público", indica uma das conclusões do relatório, segundo a foto deste trecho do informe divulgada pelo Canal 10.

O documento assinala que a atuação de Sendic "compromete a sua responsabilidade ética e política, com o descumprimento reiterado de normas de controle" e acrescenta que esta conduta se agrava pela responsabilidade que teve como presidente da Ancap (2010-2013).

Sobre o argumento dos que relativizam o feito por considerar que não houve enriquecimento por parte do funcionário, a comissão esclareceu que a disposição indevida de um "montante pouco importante é também uma violação de princípios que devem ser considerados fundamentais".

A investigação deste tribunal da coalizão política foi feita à margem do interrogatório realizado pela Justiça uruguaia.

O relatório esclarece que não se pronuncia sobre os aspectos jurídicos, nas mãos das autoridades.

Sendic, de 54 anos, chegou à vice-presidência de seu país em 2015 na chapa com o presidente Tabaré Vázquez e afirmou que não deixará o cargo.

O funcionário, filho do fundador do movimento guerrilheiro MLN-Tupamaros no Uruguai, encontra-se no centro da polêmica desde fevereiro de 2016, quando reconheceu em entrevista ao jornal El Observador que não se graduou em Licenciatura em Genética Humana em Cuba, como dizia até então.

As informações sobre gastos realizados com o cartão corporativo da Ancap em lojas de artigos de luxo, que o político defende como inerentes à sua atividade, foram determinantes para que muitos agentes políticos questionassem sua continuidade no cargo.

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