Agência britânica é acusada de incitar tensão racial na África do Sul

Londres, 5 Set 2017 (AFP) - A empresa de relações públicas britânica Bell Pottinger, fundada pelo homem que lançou a carreira de Margaret Thatcher, foi expulsa nesta terça-feira (5) de sua organização sindical por causa de uma campanha que alimentou tensões raciais na África do Sul.

A decisão da Associações de Comunicações e Relações Públicas (PRCA) responde a uma campanha de Bell Pottinger que incluiu a frase "capital do monopólio branco", para se referir aos críticos do presidente Jacob Zuma e da família Gupta.

A campanha era um encargo da empresa de investimentos Oakbay Capital, propriedade dessa família, acusada pela oposição de ter muita influência nos assuntos públicos sul-africanos.

Criado para investigar o assunto, o comitê do PRCA chegou à conclusão de que é "provável" que a campanha "tenha inflamado a discórdia racial na África do Sul e parece que isso é exatamente o que fez".

Ao anunciar a expulsão de Bell Pottinger, o diretor-geral do PRCA, Francis Ingham, disse que a empresa "arranhou a reputação do setor com suas ações".

O fundador da Bell Pottinger, Tim Bell, o homem que impulsionou a carreira de Thatcher, primeira-ministra entre 1979 e 1990, considerou que essa situação põe a empresa à beira do fim.

"Acho que se aproxima de seu fim. Pode-se tentar resgatá-la, mas a tentativa não terá muito sucesso", disse ele ao programa de televisão Newsnight, da BBC.

"Não assumo qualquer responsabilidade. Isso foi há 18 meses... Me demiti da empresa em agosto do ano passado, tornei pública minha renúncia e disse que uma das razões era a conta Gupta", desculpou-se.

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