Maduro e representantes da Chevron avaliaram sanções de Trump

Caracas, 5 Set 2017 (AFP) - O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e os diretores da petroleira americana Chevron avaliaram, nesta terça-feira, alternativas para manter sua relação comercial após as sanções financeiras do governo de Donald Trump.

Maduro e o presidente da Chevron para a América Latina e a África, Clay Neff, exploraram "mecanismos diante do bloqueio" americano contra as operações financeiras que a multinacional e a petroleira estatal PDVSA têm na Venezuela, segundo um comunicado do governo.

Maduro expressou a Neff e Ali Moshiri, assessor da Chevron, sua "disposição para manter os laços comerciais" e, em geral, os investimentos estrangeiros no país, apesar da "agressão e do insolente e ilegal bloqueio" de Trump, completou o relatório.

A Chevron é associada da PDVSA na empresa mista Petroboscán, que opera no Lago de Maracaibo (noroeste).

A petroleira americana também faz parte de Petropiar, em atividade na Faixa Petrolífera Orinoco, que concentra 90% das reservas de petróleo da Venezuela.

Em 25 de agosto, Trump proibiu por decreto novas negociações de dívidas emitidas pelo governo venezuelano e a PDVSA nas primeiras sanções diretas ao país.

Antes, o Tesouro americano tinha imposto sanções a Maduro e vários colaboradores, acusados de romper a ordem democrática e violar direitos humanos em protestos opositores, que deixaram 125 mortos entre abril e julho.

As medidas implicam no congelamento de bens que os afetados possam ter nos Estados Unidos e a proibição aos americanos de fazer negócios com eles.

A Chevron tem uma boa relação com o governo de Maduro e seu antecessor, o falecido Huho Chávez, segundo o especialista Luis Oliveros.

"Enquanto Coconut e Exxon deixaram o país quando ele tomou o caminho das empresas mistas, a Chevron decidiu ficar", explicou Oliveros à AFP, referindo-se à adoção de um modelo de associação em que o Estado é o sócio majoritário.

A Venezuela assinou, no dia 14 de julho, um acordo com a petroleira americana Horizontal Well Drillers de 1,3 bilhão de dólares. Durante a assinatura, Maduro disse que apreciava a chegada de investidores dos Estados Unidos.

Segundo a agência de classificação financeira SP Global Ratings, a Venezuela enfrenta um risco de calote de sua dívida por causa da deterioração das condições econômicos e o aumento das tensões políticas.

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