Venezuela acusa Macron de se submeter a Trump

Caracas, 5 Set 2017 (AFP) - O governo da Venezuela declarou nesta terça-feira (5) que a política exterior do presidente francês, Emmanuel Macron, é subordinada à do mandatário americano, Donald Trump, ao provocá-lo por receber Julio Borges, o líder venezuelano do Parlamento de maioria opositora.

"O presidente da França, Emmanuel Macron, subordina a sua política em relação a Venezuela à política externa de ingerência de Donald Trump", afirmou o chanceler Jorge Arreaza por meio de sua conta no Twitter.

O governo de Nicolás Maduro voltou a recusar os apontamentos de Macron, que na última terça-feira (29) fez comentários a respeito da situação na Venezuela, argumentando que trata-se de uma "ditadura", que "tenta se manter (no poder) a um preço humanitário sem precedentes", disse.

"O tom arrogante e prepotente do comunicado da presidência francesa é inaceitável e relembra épocas imperialistas superadas", ressaltou o ministro venezuelano.

Em 21 de agosto, o governo francês condenou em um comunicado a decisão da Assembleia Constituinte chavista de assumir as competências do Legislativo.

Borges, que viaja pela Europa acompanhado pelo vice-presidente da Assembleia Nacional, Freddy Guevara, afirmou que o presidente francês "expressou (na segunda-feira) a sua preocupação com a Venezuela" e foi informado "em primeira mão da grave crise que se vive".

Arreaza entregou na segunda-feira uma nota de protesto aos representantes diplomáticos da Itália, Espanha, Alemanha e Reino Unido. O embaixador da França em Caracas está em Paris.

A viagem de Borges e Guevara, que inclui Espanha, Alemanha e Grã-Bretanha, foi descrita por Arreaza como "anti-patriótica", afirmando que esses líderes tentam fazer com que os governos imponham "medidas contra a economia venezuelana".

O chanceler também acusou o chefe do governo espanhol, Mariano Rajoy, de "agredir a dignidade venezuelana" por ter recebido em Madri os dois deputados.

O governo da Espanha, "atingido pelos mais sérios escândalos de corrupção de sua história, reafirma sua política de agressão contra a Venezuela", afirmou.

O governo de Maduro acusa Washington de promover uma intervenção militar na Venezuela e um bloqueio econômico com sanções financeiras que foram impostas no fim de agosto.

A Venezuela enfrenta um colapso econômico, marcado pela escassez de commodities, e acompanhado pela queda das receitas do petróleo e uma inflação que, segundo estimativas do FMI, vão girar em torno de 720% em 2017.

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