ONU acusa o governo sírio por ataque com gás sarin em abril

Genebra, 6 Set 2017 (AFP) - Investigadores da ONU responsabilizaram pela primeira vez o governo da Síria pelo ataque com gás sarin na cidade de Khan Sheikhun, que deixou dezenas de mortos em 4 de abril, acusando Damasco de "crimes de guerra".

De acordo com o 14º relatório da Comissão de Investigação da ONU sobre a situação dos direitos humanos na Síria, publicado nesta quarta-feira, "em 4 de abril, durante uma campanha aérea (...) as forças aéreas sírias utilizaram gás saris e mataram mais de 80 pessoas, a maioria mulheres e crianças".

A Comissão rejeitou a ideia de que os ataques aéreos atingiram um depósito no qual eram armazenadas substâncias químicas.

"Pelo contrário, todas as provas disponíveis permitem concluir que existem motivos razoáveis para acreditar que as forças aéreas lançaram uma bomba que dispersou gás sarin", afirmam os investigadores.

O relatório destaca que o uso de armas químicas é proibido pelo direito internacional humanitário.

"A utilização de gás sarin em Khan Sheikhun em 4 de abril pelas forças aéreas sírias constitui crimes de guerra", concluem.

A comissão, criada pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU em 2011, nunca obteve autorização de Damasco para visitar a Síria.

Não é a única que analisa o ataque de 4 de abril. Outra comissão conjunta das Nações Unidas e da Organização para a Proibição das Armas Químicas (OPAQ) também investiga o ocorrido.

No fim de junho, a OPAQ confirmou o uso de gás sarin durante o ataque de Khan Sheikhun, sem apontar os responsáveis, no entanto. A organização denunciou intensas pressões sobre seus investigadores.

A Síria anunciou em meados de agosto que cooperaria com os especialistas internacionais para demonstrar que não teve envolvimento no ataque.

De acordo com a Comissão de Investigação, o ataque em Khan Sheikhun matou pelo menos 83 pessoas, incluindo 28 menores de idade e 23 mulheres. Outras fontes indicam pelo menos 87 vítimas fatais, incluindo 30 menores, na ação, que provocou uma grande onda de indignação internacional e o primeiro bombardeio de Washington contra o regime de Damasco.

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