Brexit: propostas de Londres sobre Irlanda preocupam negociador europeu

Bruxelas, 7 Set 2017 (AFP) - O negociador-chefe da União Europeia (UE) para o Brexit, Michel Barnier, manifestou sua preocupação, nesta quinta-feira (7), com as propostas britânicas destinadas a resolver a questão da fronteira entre a Irlanda e a província britânica da Irlanda do Norte após a saída do Reino Unido.

"Estou preocupado com o que vejo na proposta britânica sobre Irlanda e Irlanda do Norte", afirmou Barnier em entrevista coletiva em Bruxelas, na qual detalhou as novas posições europeias sobre cinco temas vinculados ao Brexit.

Segundo Barnier, "o Reino Unido quer que a UE suspenda a aplicação de suas leis, de sua união aduaneira e do mercado único, o que seria uma nova fronteira externa" para o bloco.

"E o Reino Unido quer usar a Irlanda como uma espécie de teste para as futuras relações aduaneiras" com a UE.

"Isso não vai acontecer", garantiu.

Em seu documento sobre a Irlanda divulgado nesta quinta, a UE pede a Londres que "proponha soluções para superar os desafios" abertos com sua saída.

"A responsabilidade (...) cabe ao Reino Unido", acrescenta.

O futuro da fronteira na ilha da Irlanda faz parte das prioridades dos negociadores do Brexit, junto com os direitos dos cidadãos europeus em solo britânico e vice-versa, assim como o montante que Londres deve pagar aos sócios europeus pelos compromissos financeiros adquiridos como membro do bloco.

Ainda que Londres queira iniciar rapidamente a negociação do futuro marco das relações entre ambos, e que poderia incluir um acordo de livre-comércio, os europeus querem primeiro "avanços suficientes" nas condições do "divórcio" - especialmente no que diz respeito a essas três prioridades.

Ao fim da última rodada de negociações entre Londres e Bruxelas, em 31 de agosto, Barnier avaliou que esses progressos estão "longe de serem suficientes" para começar a discutir o futuro da UE e do Reino Unido.

"Visto que o tempo corre (...) e esse tempo que corre me preocupa, estou disposto a acelerar e a intensificar o ritmo das negociações" sobre as condições do divórcio, declarou Barnier nesta quinta, em uma coletiva de imprensa.

O objetivo inicial era começar, a partir de outubro, as discussões sobre as futuras relações comerciais, mas a demora das negociações sobre a prioridade lançou dúvidas sobre esse calendário.

Além da fronteira da Irlanda, o restante dos documentos apresentados pela UE nesta quinta diz respeito às licitações públicas, às aduanas, à proteção de dados e à propriedade intelectual.

Neste último ponto, a Comissão convida o Reino Unido a "dar início (...) à legislação nacional necessária" para garantir "a proteção contínua" das denominações de origem reconhecidas na UE, como o presunto de Parma e a cava espanhola.

Se os prazos forem cumpridos, o Reino Unido deve se tornar, em março de 2019, o primeiro país do bloco a deixar o projeto europeu.

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