Milhares assinam petição para tirar Nobel da Paz de Aung San Suu Kyi

Oslo, 7 Set 2017 (AFP) - Milhares de pessoas em todo mundo assinaram uma petição para que seja retirado o Prêmio Nobel da Paz da líder birmanesa Aung San Suu Kyi, muito criticada por sua gestão da crise da minoria muçulama rohinyá.

A petição online "Retirem o Prêmio Nobel da paz de Aung San Suu Kyi" recolheu 364.000 assinaturas até esta quinta-feira.

"Até agora, Aung San Suu Kyi, que dirige de fato Mianmar, não fez nada para deter este crime contra a humanidade em seu país", afirma o texto da petição, promovida por um indonésio.

Segundo a ONU, cerca de 164.000 pessoas, em sua maioria rohinyá, fugiu da violência nas últimas duas semanas para se refugiar na vizinha Bangladesh.

Suu Kyi, muito criticada no exterior por seu silêncio sobre o destino desta minoria, denunciou na quarta-feira um "grande iceberg de desinformação" que, segundo ela, dá uma visão equivocada da crise dos muçulmanos rohingyas, situação que deixa a ONU em alerta.

Este foi o primeiro comentário oficial da vencedora do Nobel da Paz desde o início da crise, no fim de agosto. Suu Kyi tem sido muito criticada no exterior por seu silêncio sobre o destino da minoria rohingyá. Milhares de pessoas fugiram para o vizinho Bangladesh.

A compaixão internacional em relação aos muçulmanos rohingyás é resultado de um "enorme iceberg de desinformação criado para gerar problemas entre as diferentes comunidades e promover os interesses dos terroristas", afirmou Suu Kyi durante uma conversa por telefone com o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, segundo uma transcrição divulgada por sua assessoria de comunicação.

A violência explodiu em 25 de agosto, quando os rebeldes do Exército de Salvação Rohingya de Arakan (ARSA, na sigla em inglês), que afirmam defender a minoria muçulmana, atacaram dezenas de delegacias de polícia.

O Exército birmanês reagiu com uma grande operação em Rakhine, uma área pobre e remota do país, o que obrigou a fuga de dezenas de milhares de pessoas.

De acordo com o Exército de Mianmar, o balanço é de 400 mortos, quase todos muçulmanos.

Até o ano passado os rohingyás não haviam recorrido à luta armada, uma situação que mudou em outubro com os primeiros ataques do ARSA.

Segundo as organizações humanitárias, 125.000 refugiados entraram em Bangladesh desde 25 de agosto, e milhares de pessoas estariam a caminho do país vizinho, algumas delas bloqueadas na fronteira.

Em Oslo, o comitê Nobel assinalou que seus estatutos tornam impossível a retirada de um prêmio.

"Nem o testamento de Alfred Nobel nem os estatutos da Fundação Nobel contemplam a possibilidade de que um Prêmio Nobel seja retirado", afirmou o secretário do comitê, Olav Njølstad.

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