Ex-ministro Geddel é preso após descoberta das malas com R$ 51 milhões

Brasília, 8 Set 2017 (AFP) - Geddel Vieira Lima (PMDB/BA), ex-ministro do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do atual ocupante do cargo, Michel Temer, foi enviado à prisão nesta sexta-feira após a descoberta de malas repletas de dinheiro em um apartamento em Salvador.

Geddel já cumpria prisão domiciliar desde julho em Salvador, acusado de tentar obstruir a Justiça em uma investigação sobre desvio de fundos público.

O ex-ministro chegou esta tarde a Brasília em um avião da Polícia Federal (PF), usando moletom branco e carregando uma mala de mão e uma bolsa, constatou a AFP.

Ele deverá ingressar no presídio de Papuda, onde ficou preso por 10 dias em julho antes de um juiz lhe conceder a prisão domiciliar, após ter sido submetido a exames médicos.

"Os documentos e testemunhos, junto ao exame pericial realizado no dinheiro apreendido, indicam a esta altura que Geddel Vieira Lima, com a ajuda de Gustavo Pedreira (diretor da Defesa Civil de Salvador), mantinha ocultos vultuosos valores no apartamento, conforme atestado pelos exames periciais grafotécnicos indicativos de que ambos manusearam essa estrondosa quantia", indica a ordem judicial à qual a AFP teve acesso.

"Diante da gravidade da situação, configura-se a necessidade urgente de prisão", acrescenta o texto do juiz Vallisney de Souza, para quem a prisão domiciliar se provou "ineficaz" em vista das novas provas incriminatórias.

A decisão judicial identifica Gustavo Pedreira, que também foi detido, como um "emissário" do ex-ministro que participou das operações de lavagem de dinheiro.

O juiz também ordenou operações de busca e apreensão na casa da mãe de Geddel, que foi o principal articulador político de Temer no Congresso até novembro de 2016, pela "grande chance" de encontrarem novos documentos e mais dinheiro de origem ilícita.

- Número recorde de maletas -Na terça-feira, os brasileiros - já apáticos diante de tantas revelações em termos de corrupção - voltaram, no entanto, a ficar surpresos com a difusão de imagens de cerca de 20 malas e caixas lotadas de reais e dólares achadas em um apartamento na Bahia, território político dos Vieira Lima.

A contagem do dinheiro com utilização de sete máquinas levou 14 horas e totalizou a soma impressionante de 42,643 milhões de reais e 2,688 milhões de dólares.

A ordem ditada nesta sexta-feira detalha que esse valor apreendido foi o maior confisco de dinheiro físico feito pela polícia na história do país.

Um empresário dono do apartamento informou às autoridades que havia emprestado o imóvel ao irmão de Geddel, o deputado Lucio Vieira Lima.

A investigação assegura que essa fortuna tem "origem ilícita, decorrente das atividades criminosas praticadas por Geddel Quadros Vieira Lima no comando da Vice-Presidência de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal e, possivelmente, de outras que porventura podem vir a ser descobertas".

O juiz também assinalou que existem indícios que poderiam levar a novas acusações como associação ilícita ou corrupção.

- Todos os homens do presidente -A Operação "Tesouro perdido" era uma ramificação de outra, denominada Cui Bono, que investiga fraudes na liberação de créditos da Caixa Econômica Federal - do qual Geddel foi vice-presidente de 2011 a 2013, durante o governo da ex-presidente Dilma Roussef - em benefício de políticos, altos funcionários e empresários.

De 2007 a 2010 Geddel foi ministro da Integração Nacional do governo de Lula e um importante articulador do PMDB.

Já com Dilma Rousseff na Presidência, foi vice-presidente de Pessoa Jurídica da Caixa Econômica Federal entre 2011 e 2013.

Após o impeachment de Dilma, foi ministro-chefe da Secretaria de Governo de Temer, cargo que ocupou até novembro passado, quando renunciou depois de ser acusado de tráfico de influência por Marcelo Calero, então ministro da Cultura.

Sua saída foi mais um capítulo do terremoto causado pelas investigações de corrupção e tráfico de influência no governo Temer, que direta ou indiretamente atingiram 14 assessores em apenas 17 meses.

O próprio Temer foi denunciado por corrupção passiva pelo Ministério Público, mas a Câmara dos Deputados decidiu não enviar o caso ao Supremo Tribunal.

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