Junta militar 'permitiu' fuga da ex-premiê tailandesa, aponta investigação

Bangcoc, 8 Set 2017 (AFP) - A junta militar no poder na Tailândia continua tendo de se justificar por ter deixado a ex-primeira-ministra Yingluck Shinawatra fugir do país em agosto passado.

Nesta sexta-feira (8), os generais admitiram que ela cruzou, sem dificuldade, um posto de controle próximo à fronteira com o vizinho Camboja.

Em seu último informe sobre a investigação da fuga de Yingluck, o vice-primeiro-ministro, general Prawit Wongsuwan, revelou ter a prova em imagens de seu último trajeto, de carro, para a fronteira cambojana.

"A câmera de vigilância não permite segui-los até o posto fronteiriço. Vai até um posto de controle militar na província de Sa Kaeo", disse ele, sem divulgar as imagens para a imprensa.

No final de agosto, uma fonte de alto escalão na junta disse à AFP que Yingluck Shinawatra havia fugido para Dubai, onde vive durante parte do ano seu irmão e também ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra.

Desde então, não foi mais vista, e há muitas interrogações sobre a maneira como teria conseguido deixar o país. A hipótese mais forte é que tenha fugido para Dubai pelo Camboja.

Hoje, a junta confirmou a pista cambojana pela primeira vez. Já o governo do Camboja se negou a comentar o assunto.

Criticado por ter deixado a ex-premiê fugir, o Exército tailandês garante que ela burlou a segurança, mudando de telefone e de carro nos dias anteriores a sua partida.

Analistas e veículos de comunicação tailandeses privilegiam a hipótese de um acordo secreto com os militares, que têm agora liberdade para remodelar o cenário político nacional antes das eleições de 2018.

Segundo os analistas, os militares tinham todo o interesse em não dar a Yingluck Shinawatra um papel de vítima de um julgamento considerado político. A ex-premiê fugiu no final de agosto para escapar de um veredicto que poderia ter-lhe custado uma pena de até dez anos de prisão.

Os Shinawatra ganharam todas as eleições nacionais na Tailândia desde 2001, mas as elites tradicionais - militares e juízes -, que os consideram uma ameaça para a monarquia, derrubaram todos os seus governos com golpes de Estado.

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