Menina indiana estuprada dá à luz após decisão da Justiça; bebê será adotado

Mumbai, 8 Set 2017 (AFP) - Uma menina indiana de 13 anos grávida em função de um estupro e que teve o procedimento de aborto autorizado pelo Supremo Tribunal, deu à luz um menino, informou seu médico nesta sexta-feira.

O Supremo decidiu na quarta-feira autorizar a interrupção da gravidez da menina, apesar de seus oito meses de gestação, ao considerar que o parto seria muito traumático.

Na Índia, o aborto é autorizado depois do prazo de 20 semanas somente nos casos de perigo à vida da mãe, mas nos últimos tempos os tribunais têm sido acionados sobre vários casos de adolescentes estupradas.

A menina de 13 anos, cujo nome não pode ser divulgado por questões legais, foi estuprada por um colega de seu pai.

Quando foi examinada pela primeira vez já tinha 27 semanas de gravidez, sete semanas a mais que o prazo legal.

Ao saber do ocorrido, seus pais apelaram ao Supremo Tribunal e denunciaram o criminoso, que foi detido pela polícia.

Nikhil Datar, médico de Mumbai que examinou a menina, declarou que os médicos decidiram salvar o feto, uma decisão, que segundo ele, não feria a decisão da Justiça.

"Encerrar a gravidez como indica o Supremo Tribunal não significa matar o feto", acrescentou Datar à AFP.

"O Tribunal se concentra na saúde da mãe devido a sua pouca idade e, após encerrar a gravidez, terá que aceitar as consequências", indicou.

O menino, que está em cuidados intensivos, será colocado para a adoção.

Recentemente, o Supremo aceitou o pedido de aborto de uma menina de 10 anos estuprada por seu tio.

Os estupros são comuns na Índia, onde o problema é muito mais visível desde 2012, quando um estupro coletivo em Nova Délhi indignou este país de 1,2 bilhão de habitantes.

Apenas em Nova Délhi, a capital, foram registrados 2.199 estupros em 2015, uma média de seis por dia.

Em todo o país, cerca de 20.000 estupros ocorrem a cada ano. O número pode ser muito maior, porque muitas vítimas não denunciam.

De acordo com o Comitê da ONU sobre os direitos das crianças, uma em cada três vítimas de estupro na Índia em 2014 era menor de idade, e cerca de 50% dos agressores conhecem as vítimas.

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