Mianmar abrirá acampamentos para os rohingyas deslocados

Yangon, 9 Set 2017 (AFP) - Mianmar criará na região noroeste do país acampamentos para receber os muçulmanos rohingyas deslocados pela violência, anunciou a imprensa oficial neste sábado, uma novidade desde o início da crise há 15 dias.

A ONU fez um alerta na sexta-feira e um apelo à dirigente birmanesa Aung San Suu Kyi por uma "mobilização", depois que o número de muçulmanos rohingya que fugiram para Bangladesh nas últimas duas semanas se aproximou de 300.000.

E milhares de pessoas ainda estariam nas estradas ou refugiadas nas colinas próximas da fronteira, sem água ou alimentos.

O governo birmanês prometeu instalar três acampamentos no norte, sul e centro de Maungdaw, epicentro da violência das últimas semanas.

"As pessoas deslocadas que estão atualmente dispersas poderão receber ajuda humanitária e assistência médica", organizadas pela Cruz Vermelha local, informa neste sábado o jornal Global New Light of Myanmar.

Os civis rohingyas fogem da violência em sua região desde que o exército iniciou uma ampla operação após ataques cometidos contra postos de controle policiais no fim de agosto pelos rebeldes do insurgente Exército de Salvação Rohingya de Arakan (ARSA, na sigla em inglês), que afirma defender os direitos desta minoria muçulmana.

Bangladesh fez um apelo a Mianmar para conter o êxodo. Quase 27.000 budistas hindus também fugiram de suas cidades. Muitos conseguiram refúgio em mosteiros e escolas um pouco mais ao sul da região.

De acordo com vários cálculos, desde a violência de outubro do ano passado, que provocou a fuga de 87.000 pessoas, e com os problemas atuais, quase um terço dos rohingyas de Mianmar (um milhão) estão agora em Bangladesh.

A ONU está preocupada com a saturação das capacidades de recepção em Bangladesh, onde emergem acampamentos improvisados ao longo das estradas e uma crise humanitária é cada vez mais provável.

A relatora especial da ONU para Mianmar, Yanghee Lee, afirmou à AFP na sexta-feira que mais de mil pessoas, essencialmente rohingyas, podem ter falecido em duas semanas de violência.

Ela pediu a Aung San Suu Kyi, prêmio Nobel da Paz em 1991, que "mostre ao mundo que lutou por Mianmar livre e democrático" e uma "mobilização" na crise.

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