Vice-presidente do Uruguai renuncia ao cargo

Montevidéu, 9 Set 2017 (AFP) - O vice-presidente do Uruguai, Raúl Sendic, apresentou sua renúncia "indeclinável" ao cargo neste sábado, depois de ser ver envolvido em um escândalo pelo uso de cartões corporativos oficiais e um título acadêmico que não tinha.

"Apresentei ao plenário da Frente Ampla (partido do governo) minha renúncia indeclinável à vice-presidência. Comuniquei também ao presidente Tabaré Vázquez", anunciou Sendic no Twitter, depois de uma reunião do partido.

Sendic renunciou depois de uma decisão do Tribunal de Conduta Política (tribunal ético) de seu partido, a esquerdista Frente Ampla, que se pronunciou sobre sey comportamento em relação ao uso de cartões corporativos oficiais quando era diretor da petroleira estatal ANCAP.

A informação, que se tornou pública a partir de um recurso de acesso a dados da empresa iniciado por jornalistas, mostrou gastos de Sendic em lojas de material esportivo, produtos eletrônicos e joalherias no Uruguai e em outros países.

O tribunal considerou que "o quadro geral apresentado pelos atos descritos" do agora ex-vice-presidente "não deixa dúvidas de um modo de atuar inaceitável no uso de dinheiro público".

Sua atuação "compromete sua responsabilidade ética e política, com o descumprimento reiterado de normas de de controle", afirma um comunicado.

Em um vídeo filmado durante a plenária, realizada a portas fechadas neste sábado na sede do partido governista em Montevidéu para abordar o caso, Sendic chamou a decisão do tribunal partidário de "desproporcional" e "infundada". Ele disse que "não há provas" de que cometeu irregularidades.

"Diante desta situação, frente a este conjunto de manobras, de deslealdades", das quais acusa os companheiros de partido, Sendic afirmou: "Venho (...) colocar à disposição de vocês a vice-presidência, venho aqui renunciar à vice-presidência da República".

Em seguida, saiu do recinto e anunciou a renúncia "indeclinável" à população pelo Twitter.

- A crise da Frente Ampla -Os problemas com Sendic começaram em fevereiro de 2016 para a Frente Ampla, uma coalizão de esquerda que governa o Uruguai desde 2005, sucessivamente com Vázquez, José Mujica e novamente Vázquez à frente do governo.

No ano passado, Sendic admitiu que não era formado em Genética Humana como se acreditava até então.

Sua vida política entrou em uma espiral descendente, com seu nome envolvido em vários processos judiciais por sua gestão à frente da ANCAP entre 2010 e 2013, e a Frente Ampla começou a mostrar divisões internas.

Alguns setores, como o Partido Comunista, defenderam o vice.

O próprio presidente do país chegou a afirmar que Sendic era vítima de "bullying".

Mas com o passar do tempo, os pedidos de renúncia começaram a crescer inclusive dentro do governo.

Vázquez, em uma mudança de postura notória, afirmou em uma entrevista que se ele fosse criticado pelo tribunal de ética partidário deixaria o cargo que ocupava.

Sendic respondeu que esta era a opinião do presidente que afirmou durante a semana que compareceria à reunião de sábado para provar sua "inocência".

Mas, finalmente, terminou renunciando.

- O fim de uma carreira política -O agora ex-vice, 55 anos, é filho do falecido Raúl Sendic, um dos fundadores da guerrilha Movimento de Libertação Nacional MLN-Tupamaros, que atuou no Uruguai nos anos 60 e 70. Foi escolhido por Vázquez para integrar a chapa presidencial que venceu a eleição em 2014 e assumiu o cargo em 2015.

Sendic chegou a ser uma figura de consenso na Frente Ampla, um nome em ascensão que poderia, por sua história pessoal e carisma, reunir os apoios necessários para virar o próximo candidato a presidente da coalizão, que aspira conquistar o quarto mandato consecutivo em 2020.

Sendic foi nomeado para a principal empresa pública uruguaia pelo ex-presidente Mujica (2010-2015).

O Uruguai está no momento com a vice-presidência vaga. A norma determina que o cargo deveria ser ocupado por Lucía Topolansky, esposa de Mujica, senador titular da lista mais votada nas últimas eleições, mas inabilitado para ocupar o cargo de vice porque no Uruguai não existem períodos sucessivos de governo.

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