Irma descarrega sua fúria sobre a Flórida

Miami, 10 Set 2017 (AFP) - O gigantesco furacão Irma atingiu neste domingo a Flórida, onde já provocou três mortes em acidentes de trânsito e agora ameça a vulnerável baía de Tampa, onde vivem mais de três milhões de pessoas, após deixar um rastro de destruição no Caribe.

Nos últimos dias, Irma provocou inundações no norte de Cuba e arrasou diversas ilhas do Caribe, matando 27 pessoas.

Irma atingiu o território americano pelo conjunto de ilhas de Florida Keys como furacão de categoria 4, com rajadas de vento de até 215 km/h, mas caiu para a categoria 2, com ventos de até 177 km/h, por volta das 21H00 GMT (18H00 Brasília), quando seu olho se encontrava a apenas 8 km de Naples, sobre a costa oeste do Estado, segundo o Centro Nacional de Furacões (NHC).

O presidente americano, Donald Trump, declarou estado de catástrofe natural na Flórida, medida que permite desbloquear verbas e recursos federais suplementares para socorrer a península varrida pelo gigantesco furacão.

"Mas neste momento estamos preocupados com as vidas, e não com os prejuízos", destacou o presidente após uma reunião com funcionários da Segurança Nacional e de gestão de emergências, prometendo viajar à Flórida "muito em breve".

As autoridades da Flórida anunciaram três mortes em acidentes de trânsito provocados pelos fortes ventos e chuvas intensas.

A policial Julie Bridges, 42 anos, faleceu neste domingo em uma colisão frontal perto da cidade de Sarasota, na costa oeste da Flórida, informou o xerife Arnold Lanier.

"Ela trabalhou a noite toda em um abrigo e seguia para casa para pegar alguns mantimentos no momento do acidente", disse o oficial.

Outro motorista morreu em um acidente quando seguia para o trabalho.

A terceira vítima foi um homem que faleceu no sábado em um acidente perto de Key West, em Florida Keys, primeiro conjunto de ilhas do estado atingido pelo Irma. O caminhão dele bateu em uma árvore.

Naples, Fort Myers e as densamente povoadas penínsulas da baía de Tampa (oeste da Flórida) estão sob ameaça de marés de até 4,5 metros.

"Estamos a ponto de ser atingidos na cara por esta tempestade", disse o prefeito de Tampa, Bob Buckhorn.

Com suas imensas praias de areia branca, hotéis de luxo e três milhões de habitantes, a baía de Tampa é considerada uma das áreas mais vulneráveis dos Estados Unidos diante de furacões como Irma.

O último grande furacão a atingir as cidades costeiras de São Petersburgo, Clearwater e Tampa remonta a 1921.

Em Miami, Irma derrubou dois guindastes de construção e inundou ruas neste domingo, segundo moradores da cidade, que publicaram fotos nas redes sociais.

As imagens mostram o braço de um guindaste na rua 3 que partiu e atingiu o teto de um prédio em uma zona da cidade onde é frequente a construção de prédios muito altos e com vista para o mar.

Um morador de Miami que se refugiou em Brickell, bairro vizinho à zona de prédios ao sul do centro da cidade, disse que viu um segundo guindaste cair, enquanto a região era inundada.

A maior preocupação das autoridades em Miami são os guindastes, alguns para a construção de prédios de 50 andares, com mais de 243 metros de altura.

Imagens de TV mostravam o mar invadindo o calçadão da Brickell Avenue e inundando ruas, e carros com água até a metade.

"Está inundado pela alta da maré, que passa sobre as barreiras do mar", disse à AFP Steven Schlacknam, um artista de 51 anos, que permaneceu em seu apartamento com vista para o oceano. "O cais de madeira praticamente desapareceu".

Em Key Haven, na ponta do arquipélago, Maggie Howes descreveu uma tempestade de violência sem precedentes.

"Os barcos estão literalmente quebrados, as palmeiras estão no chão, as linhas de energia elétrica estão caindo", afirmou por telefone ao canal CNN a socorrista, que torce pelo fim do furacão.

Apesar das ordens de evacuação obrigatórias, muitos moradores optaram por permanecer nesta faixa de terra de baixa altitude e suscetível a inundações.

"Não sabemos exatamente quantas pessoas ficaram nos Keys. Os ventos chegaram a 215 km/h, a chuva a entre 25 e 60 centímetros. É uma zona muito baixa. A maré chega a 4,6 metros. Espero que todos tenham escutado as instruções", disse o governador da Flórida, Rick Scott, ao canal ABC.

- Fortes inundações em Cuba -Cuba, que foi afetada pelo Irma na sexta-feira, registrava fortes inundações no litoral noroeste, de Matanzas a Havana, "com ondas de entre 6 e 9 metros", informou o Instituto de Meteorologia cubano.

A água do mar, que atingiu o simbólico Malecón, avançou 250 metros na capital. Ao menos 1,5 milhão de moradores abandonaram suas casas na ilha, onde os ventos derrubaram árvores e postes de energia elétrica.

Em algumas zonas, especialmente no bairro de Vedado, próximo ao centro de Havana, o mar avançou mais de 500 metros, constatou a AFP.

As autoridades não anunciaram vítimas fatais, e sim "danos materiais significativos".

Irma provocou devastação em muitas ilhas do Caribe e deixou pelo menos 27 mortos: 10 na parte francesa e quatro na área holandesa de Saint Martin, quatro nas Ilhas Virgens americanas, seis nas Ilhas Virgens britânicas e no arquipélago de Anguilla, dois en Porto Rico e um em Barbuda.

O primeiro-ministro das Ilhas Virgens pediu neste domingo ao Reino Unido apoio de longo prazo para a reconstrução do arquipélago.

"Somos gente resiliente, mas isto nos atingiu profundamente", disse Orlando Smith, que descreveu a situação como "crítica" no arquipélago, onde vivem 28 mil pessoas.

"Para voltarmos à normalidade precisaremos de um plano econômico integral de reconstrução apoiado pelo governo do Reino Unido".

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