Ataques aéreos em Deir Ezzor matam 19 civis sírios

Beirute, 11 Set 2017 (AFP) - Ataques aéreos imputados à Rússia, aliada do regime sírio, mataram nesta segunda-feira 19 civis perto de Deir Ezzor, onde importantes reforços do Exército sírio chegaram em antecipação a uma ofensiva para expulsar os extremistas do grupo Estado Islâmico (EI).

No domingo, bombardeios igualmente atribuídos a Moscou na mesma cidade matam 34 civis que fugiam dos combates.

Rica em petróleo e fronteiriça com o Iraque, a província de Deir Ezzor é a última da Síria ainda amplamente controlada pelo EI.

Duas ofensivas distintas - uma apoiada por Moscou, e a outra, por Washington - estão em curso na região para tentar recuperar do EI os territórios ainda em suas mãos.

A perda dessa província seria um golpe bastante duro na organização, que viu seu poder se encolher, tanto na Síria quanto no Iraque, após atingir seu auge em 2014.

Nesta segunda-feira, ao menos 19 civis morreram nos ataques aéreos no vilarejo de Al-Khrayta, ainda sob controle do EI ao noroeste de Deir Ezzor, segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

De acordo com a ONG, os ataques foram realizados provavelmente pela aviação russa.

O Exército russo foi acusado diversas vezes de fazer vítimas civis em seus bombardeios, o que nega, assegurando visar os "terroristas".

Os ataques russos são realizados em apoio às forças do regime, que preparam uma vasta ofensiva para expulsar o EI da metade da cidade que ainda controla.

"Chegaram reforços militares importantes, que incluem homens e equipamentos, a Deir Ezzor, para o princípio da ofensiva que busca expulsar o EI dos bairros do leste da cidade", afirmou o OSDH.

Os extremistas e o governo "agora compartilham a cidade em partes iguais, com 50% para cada um", indicou o diretor dessa ONG, Rami Abdel Rahman.

"Intensos ataques aéreos russos e bombardeios realizados por aviões sírios se abateram sobre as posições dos jihadistas na cidade e seus arredores", completou.

A nova ofensiva acontece depois de o Exército de Bashar al-Assad ter conseguido romper, na semana passada, o cerco a dois encraves pró-governo de Deir Ezzor. Há quase três anos a cidade está sitiada pelos extremistas. Mais de 90.000 pessoas vivem na região, segundo a ONU.

Nesse contexto, o Exército russo anunciou hoje o envio de cerca de 40 especialistas na desativação de bombas em Deir Ezzor.

- 'Conselho civil' para Deir Ezzor -O governo luta no oeste da província, dividida na diagonal pelo Eufrates. E as Forças Democráticas Sírias (FDS) - uma aliança de combatentes curdos e árabes apoiada por Washington - lançaram uma operação para expulsar o EI dos territórios na margem leste do rio.

Depois de um rápido avanço, os combatentes das FDS se encontravam "a seis quilômetros da margem leste, frente à cidade de Deir Ezzor", situada na margem oeste, segundo o OSDH.

As FDS garantem que não há coordenação com as forças do governo, ou com seu aliado russo. Segundo a coalizão internacional liderada por Washington, existe na zona, porém, uma "linha de distensão" para evitar qualquer incidente entre os múltiplos atores que evoluem no terreno.

Embora as FDS não estejam presentes na cidade de Deir Ezzor, autoridades tribais, aliadas a combatentes apoiados pelos Estados Unidos, anunciaram hoje sua intenção de criar, em breve, um conselho civil encarregado de administrá-la, após a expulsão do EI.

Criou-se um comitê preparatório, enquanto conversas com outras tribos e com outros atores locais estão em andamento para estabelecer "uma formulação final que traduza as aspirações de toda população de Deir Ezzor", informa a nota publicada no site das FDS.

lar-mjg/tgg/hj/acc/eg/tt/mr

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos