Irma perde força mas ainda afeta a Flórida

Miami, 11 Set 2017 (AFP) - O furacão Irma foi rebaixado para categoria 1 nesta segunda-feira (11), enquanto avançava pela Flórida, afetada por violentas rajadas de vento e grandes inundações que deixaram três mortos e milhões de pessoas sem acesso a energia elétrica, provocando a declaração do estado de catástrofe natural.

Às 5h locais (6h de Brasília), os ventos máximos alcançavam 120 km/h - bem abaixo dos mais de 200 km/h do fim de semana -, e Irma deve passar à categoria de tempestade tropical em seu avanço pela costa noroeste da Flórida e rumo ao sul da Geórgia, informou o Centro Nacional de Furacões (NHC, na sigla em inglês) em um comunicado.

O olho do furacão estava 40 km ao nordeste de Tampa, segundo o NHC, que recordou as advertências a respeito de marés ciclônicas, o que significa que há "perigo de inundações que representam ameaças à vida".

"A força de apenas seis polegadas (15 cm) de água pode derrubar uma pessoa", tuitou o governador do estado, Rick Scott, após a perda de força de Irma.

"Permaneçam dentro de casa, permaneçam seguros", completou, insistindo em que "a combinação de uma tempestade perigosa com a maré provoca, normalmente, inundações nas áreas secas próximas à costa".

Na manhã de domingo (10), O furacão Irma atingiu a área de Florida Keys como furacão de categoria 4 - em uma escala que vai até 5. Durante a tarde, voltou a tocar a terra em Marco Island (oeste) como categoria 2.

Quase 6,3 milhões de pessoas receberam ordem para abandonar suas casas em todo estado, e três milhões de moradores estavam em casas sem energia elétrica, segundo a empresa Florida Power and Light.

"Os barcos estão literalmente quebrados, as palmeiras estão no chão, as linhas de energia elétrica estão caindo", relatou por telefone ao canal CNN a socorrista Maggie Howes.

Uma policial e um oficial penitenciário morreram em acidentes de trânsito no domingo nas imediações de Sarasota. Outro homem faleceu no sábado (9), quando seu caminhão bateu em uma árvore em Key West.

Ao menos 30 pessoas faleceram em consequência da passagem do Irma em vários países.

- Estado de emergência -O presidente americano, Donald Trump, declarou estado de catástrofe natural na Flórida, medida que permite desbloquear verbas e recursos federais suplementares para socorrer a península varrida pelo gigantesco furacão.

"Mas, neste momento, estamos preocupados com as vidas, e não com os prejuízos", destacou o presidente após uma reunião com funcionários da Segurança Nacional e de gestão de emergências, prometendo viajar para a Flórida "muito em breve".

O serviço meteorológico privado Accuweather calculou que os danos provocados pelo Irma devem superar 100 bilhões de dólares, e os do Harvey, que devastou o estado do Texas há duas semanas, quase 190 bilhões de dólares, o que equivale no total a 1,5% do PIB dos Estados Unidos.

As cidades de Naples, Fort Myers e as densamente povoadas penínsulas da baía de Tampa (oeste da Flórida) enfrentavam ameaças de ondas de até 4,5 metros.

Os efeitos do gigantesco furacão, do tamanho do Texas, também foram muito sentidos na costa leste da Flórida.

Miami era afetada por fortes ventos e chuvas. Duas gruas de construção desabaram no domingo.

Os moradores devem estar atentos às advertências de tornados, que podem afetar áreas como Miami Beach.

- Fortes inundações em Cuba -Cuba também foi afetada pelo Irma e registrou fortes inundações no litoral noroeste, de Matanzas a Havana, "com ondas de entre 6 e 9 metros", informou o Instituto de Meteorologia cubano.

A água do mar, que atingiu o simbólico Malecón, avançou 500 metros na capital. Ao menos 1,5 milhão de moradores abandonaram suas casas na ilha, onde os ventos derrubaram árvores e postes de energia elétrica.

As rajadas de vento superaram 150 km/h.

As autoridades não anunciaram vítimas fatais, e sim "danos materiais significativos".

Irma provocou devastação em muitas ilhas do Caribe e deixou pelo menos 27 mortos: 10 na parte francesa e quatro na área holandesa de Saint Martin; quatro nas Ilhas Virgens americanas; seis nas Ilhas Virgens britânicas e no arquipélago de Anguilla; dois em Porto Rico; e um em Barbuda.

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