Líder birmanesa cancela viagem para Assembleia da ONU em plena crise dos rohingyas

Yangon, 13 Set 2017 (AFP) - A governante de fato de Mianmar, Aung San Suu Kyi, cancelou nesta quarta-feira sua participação na Assembleia Geral das Nações Unidas no fim de setembro, depois que a ONU afirmou que a minoria muçulmana rohingya é vítima de "limpeza étnica".

A ex-dissidente e prêmio Nobel da Paz está sendo duramente criticada pela comunidade internacional por seu silêncio sobre a situação desta minoria muçulmana, que foge de forma desesperada de Mianmar.

De acordo com a ONU, que considera a situação como um "exemplo de limpeza étnica de manual", 379.000 rohingyas buscaram refúgio em Bangladesh para escapar da violência que explodiu no oeste de Mianmar no fim de agosto.

Os refugiados chegam a Bangladesh esgotados, desamparados, após dias de caminhada sob a chuva. As autoridades locais e as organizações internacionais não conseguem administrar o grande fluxo.

No rio Naf, fronteira natural entre os dois países, as autoridades de Bangladesh encontraram sete corpos nesta quarta-feira, incluindo de crianças. Algumas vítimas tinham marcas de tiros.

Desde o início da violência, quase 100 pessoas morreram afogadas no rio.

Apesar das críticas internacionais, Aung San Suu Kyi mantém o apoio ao exército em sua operação contra os "terroristas".

A outrora ícone da democracia, que parece cada vez mais refém de seu silêncio, "não participará na Assembleia Geral da ONU" no fim de setembro, anunciou à AFP seu porta-voz, Zaw Htay.

No ano passado, Suu Kyi prometeu na tribuna da ONU respaldar os direitos da minoria muçulmana e afirmou que era "contrária com firmeza aos preconceitos e à intolerância", promovendo os direitos humanos. Pediu à "comunidade internacional que se mostrasse compreensiva e construtiva" na questão.

"Suu Kyi nos prometeu a paz, mas nunca teremos paz. Somos perseguidos e continuaremos sendo, sem parar", lamentou um refugiado rohingya que vive há 25 anos em Bangladesh.

- Apoio da China -Para a ONU, a nova crise é "um exemplo de limpeza étnica de manual", com "execuções, tiros contra civis em fugas e incêndios de vilarejos", afirmou o alto comissário da ONU para os Direitos Humanos, Zeid Ra'ad Al Hussein.

Apesar das acusações, a reunião programada para esta quarta-feira do Conselho de Segurança, a portas fechadas, se anuncia dividida: a China, principal investidor estrangeiro em Mianmar, reiterou na terça-feira o "apoio" ao governo birmanês e elogiou "seus esforços para preservar a estabilidade de seu desenvolvimento nacional".

"Esperamos que o Conselho de Segurança proponha decisões substanciais, especialmente um embargo sobre as armas", declarou Phil Robertson, da organização Human Rights Watch.

Os rohingyas são tratados como estrangeiros em Mianmar, país onde mais de 90% da população é budista, e são considerados apátridas, apesar da presença de algumas famílias há várias gerações no país.

Vários vencedores do Nobel da Paz, como Malala Yousafzai, Desmond Tutu e o Dalai Lama, pediram a Aung San Suu Kyi uma intervenção para proteger os rohingyas.

A líder birmanesa enfrenta, no entanto, o auge dos budistas extremistas nos últimos anos. E sobretudo a grande autonomia do exército de Mianmar, que tem uma forte presença na zona de conflito e controla três ministérios cruciais: Interior, Fronteiras e Defesa.

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