Kim diz que Coreia do Norte está perto dispor de arma nuclear

Seul, 16 Set 2017 (AFP) - O líder norte-coreano, Kim Jong-Un, afirmou neste sábado que seu país está próximo de dispor de uma arma nuclear, apesar das sanções da ONU, e que sua meta é atingir um "equilíbrio real de forças" com os Estados Unidos.

Citado pela agência estatal KCNA, Kim declarou que o lançamento do míssil de médio alcance Hwasong-12, que na véspera sobrevoou o Japão antes de cair no Oceano Pacífico, foi um sucesso e "incrementou o poderio bélico nuclear" da Coreia da Norte.

Segundo Kim, "o objetivo final é estabelecer um equilíbrio de forças real com os Estados Unidos para que os governantes americanos não sigam falando de opção militar contra a Coreia do Norte".

"Precisamos demonstrar às grandes potências nacionalistas como nosso Estado atinge o objetivo de dispor de uma arma nuclear, apesar de suas reiteradas sanções e bloqueio".

O Conselho de Segurança das Nações Unidas "condenou firmemente" o disparo do míssil, que considerou "altamente provocador", enquanto França e Rússia pediam "negociações diretas" com Pyongyang para reduzir a tensão.

Os disparos de mísseis, "assim como outras ações recentes e declarações públicas" de Pyongyang "minam deliberadamente a paz e a estabilidade na região".

O novo míssil tinha capacidade de alcançar a ilha americana de Guam, no Pacífico, segundo especialistas.

Percorreu uma distância de 3.700 km após ter sido disparado de um local próximo a Pyongyang, dias depois de o Conselho de Segurança aprovar uma oitava série de sanções para tentar convencer o regime norte-coreano de negociar seus programas ilegais balístico e nuclear.

Nesta sexta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, advertiu à Coreia do Norte que o armamento de Washington poderia fazer desmoronar a alma de seus inimigos.

"Depois de ver nossas capacidades (de combate e resposta bélica) tenho mais confiança do que nunca que nossas opções são não apenas efetivas, mas também demolidoras", disse Trump em um discurso dirigido ao pessoal da Força Aérea.

Trump prevê se reunir com aliados da Coreia do Sul e Japão na próxima semana em Nova York, durante a Assembleia Geral da ONU para discutir o caso norte-coreano.

Mas os presidentes de Rússia, Vladimir Putin, e França, Emmanuel Macron, pediram o desenvolvimento de "negociações diretas" com a Coreia do Norte para terminar com a escalada.

Segundo o Kremlin, os dois dirigentes mantiveram uma conversa telefônica na qual coincidiram sobre "a necessidade de resolver esta situação extremamente complicada exclusivamente por meios políticos e diplomáticos, retomando negociações diretas".

As discussões entre Pyongyang e cinco grandes potências - Estados Unidos, Rússia, Japão, China e Coreia do Sul - estão congeladas desde 2008.

Pequim condenou o disparo e pediu demonstrações de prudência.

"O coração do problema é a oposição entre Coreia do Norte e Estados Unidos (...) A China não está na origem da escalada de tensões", reagiu o porta-voz da diplomacia chinesa, Hua Chunying.

Seul respondeu com testes militares que incluíram o lançamento de mísseis Hyunmu no mar do Japão, segundo o ministério da Defesa. Um destes artefatos percorreu 250 km, uma distância suficiente para teoricamente atingir o local de onde partiu o míssil norte-coreano, em Sunan, perto do aeroporto de Pyongyang.

As últimas sanções da ONU, decididas na segunda-feira, são as mais fortes já adotadas até agora, ao limitar as exportações de petróleo e de produtos refinados para Pyongyang e proibir a compra de produtos têxteis norte-coreanos.

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