Dezenas de refugiados burundineses são mortos por militares na RDCongo

Bukavu, RD Congo, 16 Set 2017 (AFP) - Pelo menos 34 refugiados burundineses morreram no leste da República Democrática do Congo (RDC), atingidos por disparos de militares em confrontos entre os dois grupos.

Na sexta-feira, as Forças Armadas da RDC (Fardc) tentaram dispersar refugiados em Kamanyola "com disparos para o alto, mas se viram atacados pelo lançamento de pedras", declarou à AFP o chefe de gabinete do ministro do Interior de Kivu do Sul, Josué Boji.

Segundo Boji, um grupo de refugiados burundineses exigia a libertação de quatro pessoas detidas na quarta-feira (13) à noite e "expulsas para seu país de origem".

Até agora, são "34 mortos entre os refugiados burundineses e 124 feridos", relatou.

A porta-voz da Missão da ONU na República Democrática do Congo (Monusco) Florence Marchal divulgou um balanço provisório de 18 mortos e 50 feridos. Os outros refugiados burundineses - acrescentou Florence - "continuam em uma base da Monusco".

"Vi gente morrer. Homens, mulheres e crianças que não tinham armas. Por enquanto, contamos 31 mortos e pelo menos 105 feridos, entre eles, 15 muito graves", disse à AFP um refugiado burundinês.

Em sua conta no Twitter, o ministro das Relações Exteriores do Burundi, Alain-Aimé Nyamitwe, apoiou a necessidade de "esclarecimentos" sobre as circunstâncias desse "tiroteio".

O Burundi atravessa uma grave crise política, marcada por atos violentos desde a candidatura, em abril de 2015, do presidente Pierre Nkurunziza a um polêmico terceiro mandato e sua reeleição em julho deste ano.

A escalada já deixou entre 500 e 2.000 mortos, segundo dados de diferentes fontes (ONU e ONGs), além de centenas de desaparecidos, em meio à prática de tortura.

Mais de 400.000 burundineses já fugiram do país. Pelo menos 36.000 deles buscaram abrigo na República Democrática do Congo, instalando-se no acampamento de Lusenda (leste), que está saturado.

Em um relatório publicado em 4 de setembro, um grupo de investigadores da ONU acusou as autoridades do Burundi de "crimes contra a humanidade", entre outras atrocidades, e pediu uma investigação urgente por parte do Tribunal Penal Internacional (CPI).

O governo burundinês reagiu, denunciando um complô ocidental para "escravizar os Estados africanos".

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