Clima: França espera convencer EUA a permanecerem no Acordo de Paris

Nações Unidas, Estados Unidos, 18 Set 2017 (AFP) - A França acredita que ainda conseguirá convencer o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a permanecer no Acordo de Paris sobre as mudanças climáticas, cerca de três meses depois dele anunciar a retirada do país, indicou nesta segunda-feira o chefe da diplomacia francesa.

"Temos em conta as declarações do presidente (Donald) Trump sobre sua intenção de não respeitar o Acordo de Paris, até agora não se tomou nenhuma medida, ainda podemos esperar convencê-lo", disse o ministro francês de Relações Exteriores, Jean-Yves Le Drian, em uma coletiva de imprensa paralela à Assembleia Geral da ONU.

"É necessário que a pressão internacional seja forte e que não detenhamos a implementação do acordo", acrescentou, lembrando que o presidente francês, Emmanuel Macron, convocou uma cúpula sobre o clima para 12 de dezembro em Paris.

No fim de semana, durante uma reunião de ministros de Meio Ambiente de 30 países em Montreal, um responsável europeu declarou que os Estados Unidos aparentemente estavam suavizando sua postura sobre o Acordo de Paris, abrindo a porta para uma revisão das condições sob as quais poderia se comprometer.

No entanto, a Casa Branca reiterou através do seu porta-voz que os Estados Unidos vão se retirar do pacto, a não ser que os termos sejam mais favoráveis aos interesses do país.

Nesta segunda-feira, durante um café da manhã de ministros do Meio Ambiente em Nova York com o assessor econômico de Trump, Gary Cohn, a posição dos Estados Unidos foi reafirmada "muito claramente", indicou um funcionário da Casa Branca.

Washington, que considera o acordo prejudicial para os empregos americanos, quer trabalhar com outros países "para promover um enfoque equilibrado que reduza as emissões de gases de efeito estufa sem sacrificar a segurança energética ou o crescimento econômico", disse.

Os participantes discutiram "o papel importante que a tecnologia e a inovação seguirão desempenhando enquanto nossos países se esforçam para atingir esses importantes objetivos", acrescentou, sem mencionar nenhuma medida concreta.

Ministros de Energia de "países aliados e sócios dos Estados Unidos" compareceram ao café da manhã com Cohn, segundo o funcionário, que não detalhou quais nações estiveram representadas.

Após o golpe dos furacões Harvey e Irma, que segundo cientistas foram mais violentos devido ao aquecimento global, observadores especularam uma mudança de postura de Washington.

Espera-se que esse tema seja abordado na Assembleia Geral da ONU, que começa oficialmente na terça-feira, assim como na reunião bilateral, esta segunda-feira, entre os presidentes Trump e Macron.

Fiel à sua promessa eleitoral, Trump anunciou em 1 de junho a retirada dos Estados Unidos do Acordo de Paris para limitar o aquecimento global, assinado em dezembro de 2015 por 195 países na capital francesa.

No entanto, a notificação oficial de retirada só terá efeito três anos após a entrada em vigor do pacto, efetiva desde 4 de novembro de 2016. Após esse prazo, há ainda um pré-aviso de um ano para poder abandonar o acordo realmente.

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