Suu Kyi condena 'violações dos direitos humanos e violência ilegal'

Naypyidaw, Mianmar, 19 Set 2017 (AFP) - Aung San Suu Kyi disse nesta terça-feira que "sente profundamente" o sofrimento de "todas as pessoas" envolvidas no conflito que atinge Myanmar, em sua primeira declaração sobre a crise humanitária que afeta os muçulmanos rohingyas, deslocados pela violência.

"Estamos preocupados após escutar sobre o volume de muçulmanos que fugiram para Bangladesh", disse Suu Kyi em um discurso em rede nacional de TV, no qual "condenou as violações dos direitos humanos e a violência ilegal", que podem ter exacerbado a crise.

"Estamos profundamente desolados com o sofrimento de todas as pessoas envolvidas neste conflito", declarou a líder birmanesa, citando tanto a minoria rohingya como a população budista que foge de suas vilas na zona do conflito.

"Não desejamos que Myanmar se divida entre crenças religiosas", afirmou Suu Kyi, criticada pela comunidade internacional por sua omissão diante da crise envolvendo a minoria muçulmana.

No mesmo discurso, a dirigente de fato de Mianmar declarou que seu país está pronto para verificar o status dos 410 mil rohingyas que fugiram do país, "para ajudar no retorno de quem tiver o direito de se reassentar.

"Estamos preparados para iniciar o processo de verificação a qualquer momento", disse Suu Kyi em referência à minoria muçulmana que fugiu para Bangladesh em um êxodo sem precedentes.

No sábado passado, o governo havia anunciado que não aceitaria a volta daqueles que partiram, considerando-os cúmplices dos rebeldes rohingyas.

"Condenamos todas as violações dos direitos humanos", destacou Aung San Suu Ky em seu discurso desta terça-feira, no qual não condenou a ação do Exército, acusado de incendiar vilas e atirar contra civis rohingyas.

"As forças de segurança receberam instruções para adotar todas as medidas visando evitar danos colaterais e que civis sejam atingidos" durante as operações antiterroristas.

Até o momento, Suu Kyi havia manifestado apoio incondicional ao Exército, acusado de cometer abusos sob a cobertura de uma operação antiterrorista.

A ONU denuncia uma "limpeza étnica" realizada em Mianmar, iniciada pelo Exército há mais de três semanas.

Segundo o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), que cita o governo de Bangladesh, entre os cerca de 412 mil rohingyas que fugiram para o país há 70 mil mulheres grávidas ou que acabaram de dar à luz.

Em três semanas, criou-se um dos maiores campos de refugiados do mundo e as autoridades locais e ONGs, que estão sobrecarregadas, lutam para ajudar os recém-chegados.

A rejeição aos rohingyas, considerados estrangeiros ilegais em Myanmar, país cuja população é mais de 90% budista, é muito difundida entre a população birmanesa.

Desde que a nacionalidade birmanesa lhes foi retirada, em 1982, os rohingyas estão sujeitos a inúmeras restrições: não podem viajar, ou se casar, sem autorização, e também não têm acesso ao mercado de trabalho, ou a serviços públicos (escolas e hospitais).

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