A angustiante busca por crianças nos escombros de uma escola no México

Em México

  • Edgard Garrido/Reuters

    Resgatistas trabalham durante a noite de quarta à procura de alunos na escola Rebsamen

    Resgatistas trabalham durante a noite de quarta à procura de alunos na escola Rebsamen

Adriana morde os lábios de angústia: sua filha de sete anos está sob os escombros de uma escola que desabou no terremoto de terça-feira (19) no México. Ao menos 21 crianças morreram no local, e 30 pessoas estão desaparecidas.

"Não há poder humano que possa imaginar o que estou passando", desabafou Adriana Fargo, em conversa com a AFP durante a madrugada, em um abrigo improvisado a céu aberto, enquanto aguardava notícias da filha desaparecida sob as ruínas da escola Enrique Rebsamen, na zona sul da Cidade do México.

Mas em meio a uma torturante incerteza de mães como Adriana, uma esperança surgiu entre as ruínas. Os socorristas retiraram com vida uma menina dos escombros.

Um socorrista da Defesa Civil, que pediu para não ter o nome revelado, disse à AFP que viu "cinco crianças vivas, que estão presas em uma teia de vergalhões".

"Será um trabalho delicado cortar os vergalhões sem machucar as crianças. Os aparelhos mostram que suas batidas cardíacas estão fracas", advertiu o socorrista.

Até agora, 11 crianças e pelo menos uma professora foram retirados com vida da escola que desabou.

"Estamos muito perto de pessoas que podem estar vivas. Trabalhamos com câmeras térmicas e cães farejadores. Em alguns momentos pedimos silêncio absoluto para escutar os sobreviventes", relata à AFP Pamela Diaz, 34, que trabalha no resgate.

Edgard Garrido/Reuters
Homens fazem buscas no que sobrou da escola Rebsamen, que desabou com terremoto
"À noite contei cinco cadáveres retirados da escola", indicou à AFP Flor González, uma dentista de 42 anos que trabalha como voluntária.

A instituição era um edifício de três andares, agora reduzido a apenas um.

"Vi quando avisaram a um dos pais... Foi devastador", evocou, com os olhos marejados.

Com o olhar fixo no chão, Adriana, traumatizada, sequer consegue pronunciar o nome da filha. Ao ser entrevistada, tenta conter as lágrimas.

Enquanto isso, seu marido trabalha lado a lado com centenas de soldados, bombeiros e socorristas, que removiam cuidadosamente os escombros em busca de sinais de vida das crianças.

Com pás e com as próprias mãos, esses homens não poupam esforços na angustiante corrida contra o tempo para encontrar com vida as pelo menos 30 crianças que continuam desaparecidas.

Chovendo no molhado

Na terça-feira à tarde, o centro do México foi sacudido por um tremor de 7,1 graus, no mesmo dia em que o devastador terremoto de 1985 completava 32 anos. Até o momento, 233 pessoas morreram no tremor.

A tragédia aconteceu no momento em que o país ainda tentava se recuperar do trauma de outro terremoto - de 8,2 graus - em 7 de setembro. O sismo desse dia deixou 96 mortos e destruiu várias residências, sobretudo em Juchitán, no Estado de Oaxaca (sul).

Depois do tremor do início do mês, as autoridades mexicanas anunciaram uma revisão das estruturas de sustentação nas escolas do país e verificaram que suas estruturas estavam fortes.

Mas um punhado de mães, envoltas em cobertores, junto de Adriana Fargo, sofrem, enquanto aguardam notícias dos filhos desaparecidos na escola Enrique Rebsamen, um prédio de três andares que se reduziu a um. Algumas tiveram crises nervosas.

"Há sobreviventes", garante à AFP Enrique Garcia, brigadista voluntário da Defesa Civil de 37 anos, que ganha a vida como empresário.

Após trabalhar um dia e meio sem parar, este homem de barba disse que "foram ouvidos sinais" de possíveis sobreviventes "em três pontos" diferentes.

"Alguém bateu um muro várias vezes em um lugar e em outro, houve resposta a sinais luminosos com lâmpada", afirmou.

"Estamos desde ontem (terça-feira) nisso, mas não conseguimos chegar até eles porque estão presos entre duas lajes e o resgate deve ser muito delicado, quase a cinzel", afirmou.

Javier Morón, cineasta de 48 anos que vive na região, disse que esteve prestes a matricular suas filhas nessa escola.

"Têm as mesmas idades que as crianças que morreram, 7 e 13 anos... Tudo isto me faz sentir muito mal. Estas crianças só vinham estudar", disse o homem, que doou dois tanques de oxigênio.

A professora Maria del Pilar Martí explicou que as crianças não conseguiram sair depois do tremor.

"Uma nuvem de poeira subiu quando parte do edifício entrou em colapso. Tivemos que permanecer em nossas salas até que o tremor passasse", relatou.

Diante da escola, duas pessoas tentavam organizar em um computador uma espécie de "centro de controle", com uma lista das crianças mortas, resgatadas e desaparecidas.

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