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Exército reforça segurança na Rocinha após 6 dias seguidos de tiroteios

22/09/2017 15h09

Rio de Janeiro, 22 Set 2017 (AFP) - O Exército brasileiro aceitou reforçar a segurança na Rocinha, a maior favela do Brasil, depois de cinco dias de confrontos entre a Polícia e traficantes de drogas, que se intensificaram nesta sexta-feira, levando pânico para a população.

Os tiroteios começaram no domingo com a invasão do morro ordenada pelo traficante Antônio Francisco Bonfim Lopes, o Nem, que não estaria satisfeito com seu substituto no comando do tráfico, Rogério Avelino da Silva, o Rogério 157.

O confronto entre os dois bandos tornou a se repetir durante a manhã desta sexta-feira nessa favela de 70.000 habitantes, localizada na zona sul do Rio de Janeiro.

Vídeos amadores divulgados pela imprensa mostram homens armados com fuzis e pistolas disparando intensamente nas ruelas tomadas por barracos.

A estrada Lagoa-Barra, que fica junto à favela e é a principal via de ligação entre a zona sul e a zona oeste da cidade, foi fechada por dezenas de policiais fortemente armados.

Um ônibus foi incendiado perto do túnel Zuzu Angel, que passa pela Rocinha, e foram sinais de fumaça foram vistos em vários pontos da favela.

Muitos moradores foram obrigados a se esconder em casa e as aulas foram suspensas, prejudicando milhares de estudantes.

Os poucos habitantes que arriscaram deixar a comunidade não quiseram falar com a imprensa, com medo de represálias. Uma mulher que mora há 43 anos na favela limitou-se a dizer que jamais viveu algo parecido.

Depois de muita espera, o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, pediu ajuda ao Exército e o ministro da Defesa, Raul Jungmann, aceitou o pedido e anunciou o reforço de 700 militares para cercar a comunidade, de modo que a polícia pudesse liberar efetivos para outras tarefas.

Os militares devem iniciar a missão durante a tarde, afirmou o chefe da primeira divisão do Exército, Mauro Sinott, a jornalistas.

Outras favelas do Rio também registraram tiroteios nesta sexta-feira.

A violência se intensificou nos últimos meses no Rio de Janeiro, inclusive nas favelas que receberam Unidades de Polícia Pacificadora (UPP).

Na Rocinha, que tem uma UPP desde 2012, a situação saiu do controle no domingo, quando os confrontos deixaram ao menos um morto e três feridos.

Na quarta-feira, o governador Pezão disse publicamente que havia ordenado à Polícia para não intervir na Rocinha para evitar riscos para milhares de usuários da Lagoa-Barra, que leva ao Parque Olímipico, onde se realiza o Rock in Rio.

Passados os Jogos Olímpicos de 2016, o Rio entrou em estado de quase falência e não consegue cumprir com seus compromissos, como o pagamento do salário de milhares de funcionários públicos, inclusive de aposentados e policiais na ativa.

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