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EUA destroem armas químicas abandonadas no Panamá há décadas

28/09/2017 10h49

Panamá, 28 Set 2017 (AFP) - Os Estados Unidos começaram a eliminar projéteis de gás mostarda, fosgênio e outros agentes nervosos deixados no Panamá quando entregou o Canal interoceânico há quase duas décadas, em um projeto aprovado pela Organização para a Proibição de Armas Químicas (Opaq).

"A destruição de munições químicas localizadas na Ilha de São José começou em meados de setembro", informou à AFP a diretora-geral de Assuntos Jurídicos do Ministério das Relações Exteriores do Panamá, Farah Urrutia.

A operação está sendo realizada por um grupo de especialistas dos Estados Unidos, juntamente com funcionários da Unidade Técnica de Explosivos da Polícia Nacional do Panamá, acrescentou.

O Exército americano teria conduzido na ilha testes com gás mostarda, fosgênio (gás de cloro) e outros agentes nervosos para seu possível uso durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) e a Guerra do Vietnã (1964)-1975).

Financiado por Washington, o programa de eliminação envolve a destruição de oito munições químicas identificadas em 2002 pela própria Opaq.

O grupo de inspetores da Opaq entregou às autoridades panamenhas um relatório preliminar, "afirmando que quatro das oito munições identificadas foram destruídas e verificadas com sucesso", segundo Urrutia.

O relatório também observa que "nenhum dano à saúde, ou à segurança humana, ou qualquer dano permanente ao meio ambiente foi registrado" no processo.

A Ilha de São José, localizada no Golfo do Panamá, no Oceano Pacífico, foi cenário de testes e experimentos militares dos Estados Unidos, Reino Unido e Canadá após a Segunda Guerra Mundial.

- Por que agora? -Até o momento, nem o governo panamenho nem Washington haviam dado detalhes da destruição dos projéteis por motivos de segurança.

Juan Méndez, ex-funcionário da Chancelaria do Panamá (1999-2003), ligado à visita da Opaq ao Panamá em 2002, disse à AFP que esteve recentemente em São José, onde viu um grande contingente militar americano.

"Até onde eu sei, havia 90 unidades de especialistas em explosivos, seis helicópteros e um grande navio de abastecimento. Era uma grande equipe", relatou Mendez.

A eliminação deste armamento químico foi objeto de muitas discussões entre os dois países. Em um primeiro momento, a limpeza havia sido acordada para 2013 e 2014, mas não foi executada. Naquele momento, o governo panamenho anunciou a eliminação de bombas de entre 453 e 907 quilos.

"A limpeza vinha sendo atrasada por razões orçamentárias desde 1999, de acordo com os Estados Unidos", afirma Julio Yao, professor de Direito Internacional, à AFP.

Segundo analistas panamenhos, os Estados Unidos sempre se mostraram relutantes em cumprir a limpeza das bases militares, mas o fato de exigirem que outros países eliminassem seu arsenal químico, uma nova realidade internacional e boas relações com o Panamá teriam precipitado sua decisão.

Os Estados Unidos mantiveram bases militares e uma zona de jurisdição própria no Panamá desde que construiu e inaugurou o Canal em 1914 até sua retirada em 31 de dezembro de 1999.

Não há, porém, informações disponíveis sobre o número de armas deixadas no país.

"Além das armas químicas, há enormes quantidades de armas convencionais que não foram eliminadas", segundo Yao.

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