EUA retiram metade do pessoal diplomático em Cuba por 'ataques'

Washington, 29 Set 2017 (AFP) - O governo dos Estados Unidos anunciou nesta sexta-feira sua decisão de retirar "mais da metade" do pessoal de sua embaixada em Havana, em razão de "ataques específicos", e a suspensão imediata da emissão de vistos na sede diplomática.

O Departamento de Estado também emitirá um alerta de viagens, recomendando os cidadãos americanos que evitem viajar a Cuba, ante o risco de ataques como os que afetaram 21 diplomatas, informaram dois funcionários que pediram anonimato.

Segundo os funcionários, a suspensão da emissão de vistos para os Estados Unidos na embaixada em Cuba é "por tempo indeterminado", embora o departamento de Estado elabore mecanismos para que os cubanos possam solicitar em outros países.

Somente o pessoal de "emergência" permanecerá na embaixada.

A medida drástica foi adotada três dias depois de uma reunião em Washington entre o secretário de Estado Rex Tillerson e o chanceler cubano Bruno Rodriguez, para discutir precisamente os estranhos incidentes.

De acordo com denúncias, 21 diplomatas americanos sofreram sintomas que variaram de dores de cabeça severas a edemas cerebrais devido a 'ataques acústicos' ou ultrassônicos, que permanecem misteriosos.

Até essa sexta-feira, o governo americano referia-se a esses casos como "incidentes".

Hoje, as autoridades disseram que os 21 diplomatas (não identificados) sofreram esses "ataques específicos" quando estavam em hotéis em Cuba, embora não haja informações sobre outras pessoas nos hotéis que apresentaram os mesmos sintomas.

Precisamente porque os "ataques" ocorreram em hotéis, disse um dos funcionários do departamento de Estado, "acreditamos que devemos alertar nossos cidadãos para que não viajem para Cuba".

O departamento de Estado, acrescentou a fonte, ainda não conhece "o significado, a mensagem ou como esses ataques foram realizados".

O governo cubano exclui qualquer envolvimento em tais ataques.

Trata-se do episódio mais grave nas relações diplomáticas entre Washington e Havana, que foram restabelecidas em 2014 após meio século de ruptura mútua e desconfiança.

O senador Patrick Leahy, que desempenhou um papel central na aproximação entre os dois antigos adversários, afirmou que "quem quer que esteja fazendo isso está obviamente tentando perturbar o processo de normalização" das relações.

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