Manifestações na Espanha contra referendo de independência catalão

Barcelona, 30 Set 2017 (AFP) - Milhares de pessoas protestaram em várias cidades da Espanha contra o referendo de independência previsto para este domingo na Catalunha, ao qual o presidente regional não cogita renunciar, apesar da oposição de Madri.

Envolvido há anos em um conflito crescente com o governo do conservador Mariano Rajoy, o Executivo desta riga região do nordeste da Espanha está decidido a celebrar esta consulta, proibida pelo Tribunal Constitucional espanhol.

No domingo, "o que não vai acontecer é irmos para casa e renunciarmos aos nossos direitos", afirmou o presidente regional Carles Puigdemont em entrevista à AFP faltando menos de 24 horas para o começo da votação.

Horas depois, milhares de pessoas com bandeiras da Espanha foram às ruas de Barcelona e de outras cidades do país para mostrar seu repúdio a este projeto que mantém divididos os 7,5 milhões de catalães.

"Catalonia is Spain (a Catalunha é a Espanha)" ou "Nós também somos catalães" repetiam debaixo de chuva no centro de Barcelona.

"Me traz um pouco de cansaço dessa ruptura, o cansaço desta antidemocracia, o cansaço destas imposições, desta desobediência da lei", disse à AFP María José Moreno, de 54 anos.

Em Madri, Valladolid, Santander, Sevilha ou Valencia também choveram críticas ao nacionalismo catalão, além de uma ou outra ao governo espanhol.

"O Estado tem que fazer política, tem que convencer do bom que é estarmos unidos, ao invés de repetir todo o tempo que o referendo é ilegal", lamentou Rafael Castillo, engenheiro, em Madri.

- Voto com "normalidade" -Mas as relações entre os dois Executivos são quase nulas desde que o presidente regional Puigdemont decidiu convocar este referendo, sabendo que o Tribunal Constitucional o considera ilegal.

As pesquisas de opinião mostram que os catalães estão divididos sobre a independência: 41,1% são favoráveis e 49,4%, contrários, segundo a última consulta do governo catalão, publicada em julho.

Mas também que mais de 70% da população querem que a questão seja decidida em um referendo legal.

"Se o Estado espanhol hoje diz vamos a acordar um referendo (...) vamos fazê-lo", afirmou à AFP Puigdemont, disposto a desconvocar a consulta.

Mas se não for assim, "o governo (catalão) dispôs tudo para que possa transcorrer em total normalidade".

Seu Executivo diz dispor de um censo de 5,3 milhões de pessoas aptas a votar nas 2.315 seções eleitorais distribuídas em toda a região.

Em um esforço para desmantelar a logística de um plebiscito proibido, a Justiça espanhola ordenou o fechamento de escolas, centros cívicos e outros locais designados para receber a votação.

A instrução dirige-se à Polícia catalã, subordinada ao governo separatista regional, que tem ordens de seus comandos para não recorrer à violência para desocupar as seções.

Mesmo assim, o governo espanhol tem milhares de agentes da Polícia Nacional e da Guarda Civil para impedir a votação.

Esta última corporação bloqueou no sábado as conexões telemáticas dos centros de votação, os sistemas informáticos de contagem e um sistema que teria permitido "uma votação online mediante a web", informou o delegado do governo espanhol em Barcelona, Enric Millo.

- Disputa nos colégios -Na tarde de sexta-feira, muitos vizinhos ocuparam escolas e outros espaços atribuídos à votação, com a intenção de mantê-los abertos até as 09H00 locais de domingo (04H00 de Brasília), quando está prevista a votação.

Mas segundo o ministério do Interior, "a maior parte deles está fechada".

A AFP visitou neste sábado várias escolas nas quais pais, alunos e vizinhos podiam entrar e sair livremente. E segundo uma fonte do governo separatista catalão, havia "uns 200 centros ocupados" só em Barcelona e periferia.

A plataforma "Escolas abertas pelo referendo", que organizou as ocupações, chamou os eleitores a se concentrarem a partir das 05H00 locais de domingo (00H00 em Brasília) em frente ao seu colégio eleitoral.

"É lógico pensar que amanhã haverá algo, mas o que é certo é que não haverá um referendo", afirmou Millo.

Nestas condições, o presidente da influente associação separatista Assembleia Nacional Catalã, Jordi Sánchez, avaliou que um milhão de eleitores "não é um fracasso", em vista da "repressão" do Estado.

Mas uma fonte do governo catalão contava neste sábado, com base em estimativas próprias, com uma participação superior a 55%.

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