Separatistas catalães mantêm determinação de realizar referendo

Barcelona, 30 Set 2017 (AFP) - Ocupando escolas que funcionariam como postos de votação do referendo de independência proibido pela Justiça espanhola, os ativistas catalães se mostravam determinados, neste sábado (30), a garantir a realização da consulta amplamente oprimida pelo governo de Mariano Rajoy.

"Pensamos que é essencial que o centro esteja aberto no dia que tem que estar aberto, que é o dia 1º", disse à AFP Thais, uma mãe de 38 anos que, como muitos ativistas, preferiu não dar seu sobrenome.

"É o povo que tem de defender seus próprios interesses. Se não fizermos, ninguém vai fazer pela gente", acrescentou, enquanto participava da ocupação da escola de seu filho, Turó del Cargol, ao pé do famoso Parque Güell de Barcelona.

Envolvido há anos em um conflito crescente com o governo de Rajoy, o Executivo regional catalão está determinado a realizar o pleito neste domingo, apesar de ter sido proibido pelo Tribunal Constitucional espanhol.

"É verdade que ainda temos todo o domingo para ganhar a independência", lançou o presidente regional, Carles Puigdemont, em uma reunião de fim de campanha nesta sexta-feira à noite.

Mas, "sabendo de todas as pessoas que estão se mobilizando em todo o território (...), hoje já ganhamos", completou.

As pesquisas mostram que os catalães estão divididos sobre o projeto de independência: 41,1% eram a favor e 49,4%, contrários, segundo a última consulta do governo regional, de julho passado. Contudo, mais de 70% da população quer que a questão seja decidida em um referendo legal.

- Urnas de plástico -Após meses de sigilo absoluto, o Executivo de Puigdemont revelou, nesta sexta, alguns detalhes da organização: 2.315 centros de votação em toda Catalunha - região de 7,5 milhões de habitantes no nordeste da Espanha - e um censo de 5,3 milhões de votantes.

Ele também apresentou pela primeira vez uma das urnas que devem ser usadas no domingo. Ela parece uma caixa de plástico translúcida com uma tampa preta e uma fenda para introduzir o voto.

As forças de segurança espanholas, que, em meados de setembro, confiscaram milhões de cédulas, continuam buscando as milhares de urnas que os separatistas esconderam em algum lugar.

Em um esforço para desmantelar esta logística, a Justiça espanhola ordenou o fechamento de escolas, centros cívicos e outros locais escolhidos para a votação.

A Polícia recebeu ordens de monitorar a entrada de material eleitoral nesses postos e, se isso acontecer, a determinação é para sua apreensão.

A decisão colocou contra a parede a Polícia regional catalã, os Mossos d'Esquadra - subordinada ao governo separatista, mas obrigada a fazer respeitar as decisões judiciais.

Os Mossos foram ordenados a desalojar as escolas no domingo, às 06h00 (01h00 em Brasília), mas sem recorrer à violência - o que levanta questionamentos sobre o que vai acontecer se os manifestantes oferecerem uma resistência pacífica.

- 'Desobediência' -Em dezenas de colégios, parentes e vizinhos tinham previsto para este sábado competições esportivas, oficias culturais, piqueniques, festas, ou projeções de filmes, esperando assim mantê-los abertos até o começo da votação.

"Sem desobediência, não há independência", garantia um cartaz preso à fachada de uma escola em Barcelona. "Se nós formos, eles ganham", dizia outro, apelando aos que não querem participar de uma votação ilegal.

"O que acontecer no dia 1 não será um referendo", indicou o porta-voz do governo espanhol Íñigo Méndez de Vigo, enumerando as numerosas falhas da eleição.

Essa declaração suscitou a possibilidade de o governo acabar permitindo uma consulta simbólica, sem legitimidade, por sua falta de garantias, como a Catalunha já realizou em 9 de novembro de 2014.

Contudo, o governo espanhol conta com milhares de agentes federais e da Guarda Civil, deslocados para a Catalunha para esta ocasião.

E, apesar de todas as partes terem pedido calma, alguns catalães temem o que possa acontecer.

"É preciso ser prudente. Eu não vou sair" no domingo, garantiu à AFP Dolores Molero, secretária de 53 anos, na última reunião do partido anti-independência Ciudadanos.

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