Presidente catalão: 'Ganhamos o direito de ter um Estado independente'

Barcelona, 1 Out 2017 (AFP) - O presidente regional da Catalunha, Carles Puigdemont, afirmou neste domingo (1) que os catalães "ganharam o direito de ter um Estado independente" da Espanha, após o referendo de autodeterminação que tentaram celebrar apesar das fortes operações policiais para impedi-lo.

"Com esta jornada de esperança e também de sofrimento, os cidadãos da Catalunha ganhamos o direito de ter um Estado independente, que se constitua em forma de república", afirmou, em uma apresentação com todo o seu governo, comemorando a mobilização de milhões de catalães nesta mobilização proibida pela Justiça.

Puigdemont deu estas declarações em mensagem de vídeo, gravada com todo o seu governo, na qual comemorou a mobilização dos catalães nesta votação proibida pela Polícia e lamentou a atuação da Polícia Nacional e da Guarda Nacional espanholas.

Já na madrugada de segunda-feira (noite de domingo no Brasil), o governo catalão anunciou a vitória do sim com 90% dos votos.

O porta-voz do Executivo regional, Jordi Turull, informou em uma coletiva em Barcelona que de um censo eleitoral de 5,3 milhões de pessoas, foram registradas 2,26 milhões de cédulas. Isto representa um percentual de 42,3%.

O porta-voz explicou que em 400 seções eleitorais das mais de 2.300 previstas inicialmente não foi possível votar ou contar as cédulas devido à intervenção da Polícia Nacional e da Guarda Civil espanholas.

Ainda de acordo com o porta-voz, 90% dos votos emitidos corresponderam ao sim (2.020.144), enquanto apenas 7,8% (156.566) das cédulas foram para o não.

Houve, ainda, 2% de votos em branco e 0,89% nulos, acrescentou Turull, explicando que estes são resultados provisórios faltando contabilizar 15.000 votos procedentes do exterior.

Durante todo o dia, a Polícia espanhola fez de tudo para tentar reprimir este referendo proibido pelo Tribunal Constitucional, em uma região que é um dos principais pulmões econômicos da Espanha.

Agentes entraram à força em várias seções de votação para confiscar as urnas e outros materiais eleitorais, constataram jornalistas da AFP. Em alguns casos, investiram contra grupos que opuseram resistência, disparando balas de borracha, segundo algumas testemunhas.

A Polícia tentou retirar as pessoas que impediam sua entrada nos centros de votação, empurrando-as ou arrastando-as. Vídeos publicados nas redes sociais mostram os policiais agredindo com cassetetes em alguns ativistas.

Um total de 844 pessoas receberam "assistência de saúde" após esta repressão policial, informou o governo catalão. Entre elas havia pelo menos dois feridos graves.

Diante da situação, o separatista Puigdemont lançou um apelo de ação à União Europeia.

"A União Europeia não pode mais continuar olhando para o outro lado", afirmou. A situação na Catalunha "é um assunto de interesse europeu".

"Somos cidadãos europeus que sofremos a violação de direitos e liberdades", disse, pedindo a Bruxelas que "aja com rapidez para manter a autoridade moral dentro e fora do continente".

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