Atentados de Manhattan em 2016: massacre evitado 'por milagre', diz Promotoria

Nova York, 2 Out 2017 (AFP) - "Nesse dia ninguém morreu por um milagre": com esta frase, pronunciada nesta segunda-feira na abertura do julgamento contra Ahmad Rahimi, suspeito dos dois atentados em setembro de 2016 em Nova York e Nova Jersey, a Promotoria queria provar que o acusado pretendia realizar um massacre.

Rahimi, americano de origem afegã de 29 anos, residente em Nova Jersey, é acusado de colocar três bombas em 17 de setembro de 2016: uma em Seaside Park, Nova Jersey, que não deixou vítimas, e duas em Manhattan, das quais apenas uma explodiu, causando pânico no bairro de Chelsea e deixando 31 feridos leves.

A acusação assegurou que Rahimi preparou durante meses os artefatos que continham explosivos e farpas de metal, colocadas em uma panela de pressão ativada com um smartphone, "procurando na Internet como fabricá-las", "comprando os produtos on-line" antes de "testar o funcionamento em seu jardim".

"Acreditava ser um soldado na guerra santa contra os Estados Unidos", declarou uma das promotoras no tribunal federal de Manhattan, Shawn Crowley. "Há provas claras de que queria causar danos em grande escala", acrescentou.

A promotora lembrou que encontraram uma caderneta quando a polícia prendeu Rahimi em 19 de setembro, e que suas primeiras páginas mencionavam Osama Bin Laden e um ideólogo do grupo Estado Islâmico. A acusação fez circular esta caderneta ensanguentada entre o júri.

Rahimi se declarou inocente, e sua advogada de ofício, Meghan Gilligan, não revelou qual será a sua estratégia de defesa.

A acusação diz que encontrou "mais de 40" impressões digitais de Rahimi nos explosivos desativados e diversas imagens de câmeras de vigilância, que as testemunhas começaram a detalhar nesta segunda-feira.

Antes do início do julgamento, a defesa alegou que a Promotoria estava exagerando na teoria de radicalização "para dramatizar".

Gilligan não precisou se Rahimi será chamado ao banco dos réus durante as duas ou três semanas que o processo pode durar, com o risco de expô-lo a um contra-interrogatório, algo sempre arriscado.

Rahimi estava no tribunal vestido em traje civil, com uma camisa azul e calça cinza. O preso tomou a palavra brevemente nesta segunda-feira após ter sido temporariamente retirado da sala de audiência por querer se expressar sem a autorização do juiz.

Depois se desculpou, explicando que há meses negam a sua esposa a permissão para visitá-lo, e que conseguiu ver seus filhos em poucas ocasiões. O juiz Richard Berman prometeu verificar com as autoridades penitenciárias as razões por trás dessas decisões.

Rahimi foi gravemente ferido durante o tiroteio que culminou em sua prisão, e ficou hospitalizado durante um longo período. Mas nesta segunda-feira parecia totalmente recuperado.

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