Juiz ordena prisão de vice-presidente do Equador por caso Odebrecht

Quito, 3 Out 2017 (AFP) - A justiça do Equador decretou nesta segunda-feira a prisão preventiva do vice-presidente Jorge Glas, investigado por envolvimento no escândalo de corrupção da Odebrecht.

Em uma audiência da Corte de Justiça de Quito, o juiz Miguel Jurado também embargou os bens e bloqueou as contas bancárias de Glas.

"Acato - sob protesto - este infame atropelo contra mim, mas tenho fé que a justiça finalmente será imposta e provarei minha inocência", reagiu Glas no Twitter de sua casa em Guayaquil.

O vice-presidente. 47 anos, afirmou que a decisão foi adotada "sem provas e com indícios forjados", e revelou que recorrerá "a instâncias nacionais e internacionais" para se defender.

Segundo uma fonte policial, Glas será levado a uma prisão de Quito, possivelmente ainda esta noite.

A Procuradoria encerrou no domingo a fase de instrução do caso de corrupção envolvendo a Odebrecht e funcionários equatorianos, incluindo Ricardo Rivera, tio de Glas.

O procurador-geral, Carlos Baca, havia solicitado a prisão de Glas "em vista dos novos elementos de convicção na investigação por associação ilícita".

O juiz decretou ainda a prisão preventiva de Rivera, que cumpria detenção domiciliar, diante do "potencial risco de fuga".

Glas, afastado de suas funções pelo presidente Lenín Moreno, em meio à profunda divisão entre os governistas, teria recebido do ex-diretor da Odebrecht no Equador José Conceição Filho 16 milhões de dólares em propina em troca de contratos de obras com o governo equatoriano.

Acusado pela oposição de estar envolvido em outros casos de corrupção, Glas foi responsável desde 2007 por setores estratégicos do Equador e a partir de 2013 se tornou vice-presidente.

O processo de Glas no caso Odebrecht se mistura no Equador com a luta de poder no governo, entre os partidários de Lenín Moreno e de seu antecessor, Rafael Correa.

O atual presidente é acusado por Correa e Glas - antigos aliados - de se unir à oposição de direita para acabar com a chamada "revolução cidadã".

Nesta segunda-feira, dezenas de partidários e opositores a Glas se concentraram diante da Corte de Quito a espera da decisão do juiz.

Segundo o departamento de Justiça dos Estados Unidos, a Odebrecht pagou 33,5 milhões de dólares a funcionários públicos no Equador entre 2007 e 2016 para obter contratos de obras públicas no país.

As investigações em curso no Equador já provocaram a prisão de mais de dez pessoas, incluindo Rivera e o ex-ministro de Eletricidade Alecksey Mosquera, aliado de Glas.

sp-jm/lr

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