Bombardeio da coalizão liderada pelos EUA mata 18 civis em Raqa

Beirute, 3 Out 2017 (AFP) - Pelo menos 18 civis, incluindo crianças, foram mortos nesta terça-feira (3) em um ataque aéreo da coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos no norte de Raqa, onde estão entrincheirados os últimos combatentes do grupo Estado Islâmico (EI) - informou uma ONG.

"Os civis estavam pegando água perto do estádio municipal, ao norte de Raqa, no momento do bombardeio", explicou à AFP o diretor do Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH), Rami Abdel Rahman.

Entre os 18 mortos estão quatro crianças, de acordo com o OSDH, que se baseia em uma ampla rede de fontes em toda Síria, país devastado pela guerra desde 2011.

O ataque ocorreu em uma área de onde os extremistas do EI se retiraram, mas que ainda não está sob controle das Forças Democráticas Sírias (FDS) - a aliança curdo-árabe que combate o EI com o apoio dos Estados Unidos.

O porta-voz da coalizão, o coronel americano Ryan Dillon, indicou que a coalizão "faz todo o possível para limitar danos às infraestruturas civis".

"Princípios rigorosos são aplicados e esforços extraordinários são empregados para evitar vítimas civis", acrescentou por e-mail, em resposta a perguntas da AFP sobre o ataque desta terça-feira.

Segundo o coronel, a coalizão vai investigar as informações fornecidas pelo OSDH, procedimento para qualquer alegação envolvendo potenciais vítimas civis.

Localizada no norte da Síria, Raqa é margeada pelo rio Eufrates. Há vários meses, porém, esta cidade transformada na capital do Estado Islâmico na Síria está sem água corrente, devido à destruição das tubulações pelos bombardeios.

Desta forma, os habitantes são forçados a se aventurarem às margens do Eufrates, ou em poços cavados pela cidade, expondo-se aos bombardeios e aos atiradores.

No final de setembro, a coalizão assumiu a responsabilidade pela morte de 735 civis em ataques aéreos na Síria e no Iraque desde 2014.

No entanto, várias organizações humanitárias consideram que este número subestima grosseiramente o número real de vítimas.

A coalizão alega fazer o possível para evitar as baixas civis.

Após sua tomada pelo EI em 2014, a cidade foi cenário das piores atrocidades cometidas pelo grupo ultrarradical sunita.

Atualmente, as FDS controlam 90% da cidade e apertam o cerco em torno dos extremistas em um setor do centro, que inclui o Hospital de Raqa.

De acordo com os combatentes das FDS, os extremistas islâmicos estão mantendo os civis na zona para serem usados como escudos humanos.

Iniciada em 2011 pela repressão do governo do presidente Bashar al-Assad a protestos pacíficos, o conflito na Síria se tornou mais complexo com o envolvimento de países estrangeiros e grupos jihadistas em um território cada vez mais fragmentado.

A guerra já provocou mais de 330 mil mortes e milhões de deslocados e refugiados.

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