Egito registra crescente repressão contra homossexuais

Cairo, 4 Out 2017 (AFP) - As autoridades e a imprensa egípcia fazem há alguns dias campanhas de injúria contra os homossexuais, acusados de "perversão", "depravação" e "libertinagem", em meio a uma intensa repressão policial.

As prisões de homossexuais se multiplicaram desde o escândalo ocasionado pela presença da bandeira nas cores do arco-íris, símbolo da comunidade LGBT (Lésbicas, Gays, Bi e Transexuais), durante uma apresentação da banda libanesa Mashrou' Leila, no dia 22 de setembro, no Cairo.

Cerca de 31 pessoas foram detidas, sendo que 10 delas possuíam relação direta com o evento, e outras cinco continuam sendo buscadas pela polícia, segundo fontes judiciais.

A ONG egípcia Iniciativa Egípcia para os Direitos Pessoais (EIPR), considera que o número já é de 57 presos, entre os dias 19 de setembro e 2 de outubro. Oito delas foram condenadas a penas de um a seis anos de prisão.

Nesta segunda-feira (2), o chefe de Segurança do Estado ordenou a detenção dos jovens acusados de ter hasteado a bandeira LGBT durante o show do grupo Mashrou' Leila.

Na maioria dos casos, os crimes de "perversão" ou "incitação à libertinagem" são usados pela justiça egípcia na ausência de penalização explícita para homossexualidade no país.

"As forças de segurança do Egito têm feito abordagens a dezenas de pessoas, além de efetuarem exames anais, o que demonstra uma forte escalada por parte das autoridades em perseguir e intimidar membros da comunidade" LGBT, denunciou na segunda-feira Najia Bunaim, diretora de campanhas da Anistia Internacional para o norte do continente africano.

- 'Caça às bruxas' -Mashrou' Leila é mundialmente conhecida como uma banda de pop rock árabe, comprometido com a causa LGBT.

"É repugnante pensar que toda essa histeria tenha sido causada porque alguns jovens levantaram um pedaço de pano em defesa do amor", argumentou o grupo por meio de um comunicado publicado no Facebook, no qual denuncia uma "caça às bruxas".

O grupo libanês, que já é 'persona non grata' na Jordânia, pode ser proibido de realizar futuras apresentações no Egito, conforme anunciou o conservador sindicato dos músicos do país.

Além disso, o Conselho Superior de Regulação da Mídia proibiu no sábado (30) qualquer "campanha a favor da homossexualidade" na imprensa, ao qualificá-la de "enfermidade vergonhosa".

Ainda que a polêmica em relação ao ocorrido tenha culminado em um debate nas redes sociais sobre as liberdades individuais, também foi usada pelas autoridades locais como meio para lançar críticas contra a comunidade gay.

Um imã da mesquita de Al Azhar, a instituição sunita mais importante, abordou o tema durante uma oração na última sexta-feira (29): "Da mesma maneira que a Al Azhar atua contra grupos extremistas (...), combaterá fortemente a degeneração e o desvio sexual", disse.

A Igreja Copta cristã manifestou também repúdio a homossexualidade.

Não é a primeira vez que a comunidade LGBT sofre repressão no Egito, o país mais populoso do mundo árabe. Em 2001, ocorreu a prisão de 52 homens na Queen Boat, discoteca flutuante no Rio Nilo, fato que comoveu e mobilizou a comunidade internacional e diversas ONGs.

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