Nobel de Química premia criomicroscopia eletrônica

Estocolmo, 4 Out 2017 (AFP) - O suíço Jacques Dubochet, o americano Joachim Frank e o britânico Richard Henderson foram anunciados nesta quarta-feira (4) como os vencedores do Prêmio Nobel de Química pela criomicroscopia eletrônica, um método revolucionário de observação das moléculas, com uma reconstrução em três dimensões.

Graças às suas descobertas, "os cientistas podem agora (...) produzir estruturas tridimensionais de biomoléculas", explicou o júri, o que significa que podem fotografar com alta resolução.

A criomicroscopia permite estudar amostras biológicas sem alterar suas propriedades, pois evita a necessidade de usar corantes, assim como os feixes de elétrons desprendidos pelos raios X.

A microscopia eletrônica convencional desidrata as amostras (muitas vezes constituídas por uma grande quantidade de água), de modo que as altera. Também são modificadas pelo uso de corantes, ou de sais, para melhorar a resolução da imagem.

Até os anos 1980, quando Jacques Dubochet e sua equipe inventaram a criomicroscopia eletrônica, os cientistas congelavam a amostra para conservá-la em seu estado original.

A tecnologia moderna permite reconstruir a amostra biológica - por exemplo, de um vírus ou uma bactéria - em três dimensões.

"Uma imagem é a chave para a compreensão", explica a Academia.

Em 1990, Henderson, atualmente com 72 anos, foi o primeiro a produzir uma imagem tridimensional de resolução atômica de uma proteína. Joachim Frank, de 77, aperfeiçoou a técnica e a tornou mais simples. Jacques Dubochet, de 75, vitrificou a água, o que permite às biomoléculas conservarem sua forma natural.

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