Forças de Assad entram na cidade síria de Mayadin, reduto do EI

Beirute, 6 Out 2017 (AFP) - As forças do governo sírio entraram nesta sexta-feira (6) na cidade de Mayadin, um dos últimos redutos do grupo extremista Estado Islâmico (EI) na Síria, graças a uma vasta ofensiva apoiada pela aviação russa.

Mayadin foi descrita nesta sexta-feira por uma fonte militar síria como "a capital dos serviços de segurança e militares" do EI na província petrolífera de Deir Ezzor (leste), cuja capital de mesmo nome também é alvo de uma outra ofensiva contra os extremistas islâmicos.

"Com o apoio da aviação russa, as forças do regime entraram em Mayadin e controlam os edifícios no oeste da cidade", informou o diretor do Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), Rami Abdel Rahman, à AFP.

Foi para Mayadin e Bukamal, duas cidades localizadas no Vale do Eufrates que se estende até a fronteira iraquiana, que os extremistas fugiram de Raqa (norte), onde o EI é encurralado.

A cidade de Raqa é alvo de uma ofensiva liderada pelas Forças Democráticas Sírias (FDS), uma coalizão de curdos e árabes apoiada por Washington.

Desde 2014, o EI controla Mayadin, cerca de 40 quilômetros ao sul de Deir Ezzor, onde a organização extremista ainda está presente em vários distritos.

- 'Golpe severo' -Para essa fonte militar síria, a perda desta cidade representa um "golpe severo" para a organização ultrarradical.

"Ao dirigir suas operações para Mayadin, o Exército quer acabar com a presença do EI em toda província", afirmou, indicando que "o controle do leste da província é uma prioridade".

Um dos objetivos das forças do governo Bashar al-Assad é chegar ao campo de petróleo de Al-Omar, no nordeste de Mayadin, segundo o OSDH.

Antes de ser destruído em outubro de 2015 pela coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos, este campo proporcionava ao EI entre 1,7 e 5,1 milhões de dólares por mês, segundo a coalizão.

Os extremistas ainda controlam mais da metade da província de Deir Ezzor, e duas ofensivas distintas estão em andamento para derrotá-los.

Em uma delas, as forças do governo avançam rapidamente na parte oeste em direção ao Eufrates, graças ao apoio da aviação russa. Conquistaram o noroeste da província de Deir Ezzor e, agora, avançam em direção sudeste.

Em setembro, conseguiram quebrar o cerco imposto pelos extremistas a dois enclaves do governo na cidaed de Deir Ezzor e tentam, no momento, expulsar o EI do resto da cidade.

Na outra ofensiva, as FDS se encontram ativas na margem leste do rio e se dirigem para a capital da província.

A organização extremista perdeu grande parte dos territórios conquistados em 2014 no Iraque e na Síria. Acaba de perder Hawija, o último grande centro urbano que ainda controlava no Iraque.

Hoje, as forças de Assad "puseram fim às suas operações militares no leste da província de Homs", no centro do país, depois de "eliminar os últimos grupos" do EI "nesse setor de 1.800 quilômetros quadrados, que foi liberado" - relata a agência oficial de notícias Sana.

Na província de Homs, o EI ainda controla a cidade de Al-Qaryatayn, retomada em 1º de outubro.

- Vítimas civis -Na quinta-feira à noite, 14 pessoas, incluindo menores, morreram em bombardeios russos no sul de Mayadin.

"Cruzavam o Eufrates em embarcações improvisadas" para fugir da violência, informou o OSDH.

Também ontem, o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) manifestou sua preocupação com as centenas de civis mortos na Síria e com as milhares de pessoas recém-deslocadas, enquanto o país atravessa um "pico de violência" desde a batalha de Aleppo, em 2016.

"Há duas semanas assistimos a uma intensificação alarmante das operações militares, que provocou a morte de vários civis", lamentou o Comitê, em uma nota.

Segundo o CICV, "cada vez mais homens, mulheres e crianças estão fugindo da violência das operações militares".

A organização acredita que, todos os dias, "mais de mil" civis cheguem aos campos de deslocados estabelecidos em torno de Raqa e Deir Ezzor.

O mês de setembro foi o mais mortal em 2017 na Síria, com mais de 3.000 mortos, entre eles quase mil civis, de acordo com OSDH.

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