Líderes independentistas prestam depoimento e crise aumenta entre Madri e Barcelona

Madri, 6 Out 2017 (AFP) - Líderes independentistas catalães comparecem nesta sexta-feira à justiça espanhola para prestar depoimento pela acusação de sedição, o que deve aumentar a crise entre Madri e a Catalunha, que avança em seu projeto de declaração de independência.

A pior crise política em décadas na Espanha não dá trégua. Enquanto as autoridades da Catalunha mantêm o o projeto de secessão após o referendo de autodeterminação de domingo, que afirmam ter vencido, o governo central do primeiro-ministro Mariano Rajoy descarta qualquer diálogo até que os independentistas abandonem suas ambições.

Neste contexto, o comandante da polícia catalã, Josep Lluís Trapero, e os líderes de duas associações independentistas importantes, Jordi Sánchez e Jordi Cuixart, comparecem à Audiência Nacional de Madri.

Eles chegaram ao local acompanhados por um pequeno grupo de deputados catalães independentistas e do País País Basco, tanto nacionalistas de direita como da esquerda separatista.

Os deputados não foram autorizados a entrar no edifício. Um deles exibiu a cédula de votação do referendo de autodeterminação aos policiais que protegiam o local.

A vice-comandante de Trapero, Teresa Laplana, comparecerá por videoconferência, por questões de saúde.

Os quatro prestam depoimento ao tribunal por suposta sedição - delito que pode resultar em uma pena de prisão de 10 anos para cidadãos comuns e 15 anos no caso de autoridades.

A investigação está relacionada com as manifestações realizadas diante de uma dependência do governo catalão em Barcelona nos dias 20 e 21 de setembro, quando a Guarda Civil realizava uma operação no local.

Os manifestantes danificaram veículos da Guarda Civil estacionados diante do prédio e impediram a saída dos agentes por várias horas.

Jordi Sánchez, da Assembleia Nacional Catalã, e Jordi Cuixart, da Omnium Cultural, discursaram, em cima de um dos veículos, para a multidão e pediram uma "mobilização permanente", de acordo com o documento da Audiência Nacional que admite a denúncia por sedição.

O conselheiro regional do Interior, Joaquim Forn, afirmou que Trapero tem "o apoio do governo" independentista da Catalunha e disse ter certeza que "não há nenhum tipo de delito e muito menos de sedição".

A justiça espanhola atua sem hesitar contra os independentistas, sobretudo o Tribunal Constitucional, que proibiu o referendo de autodeterminação e que na quinta-feira suspendeu a sessão prevista para segunda-feira no Parlamento regional, que poderia proclamar a secessão unilateral.

Assim como o Executivo regional catalão ignorou o tribunal e realizou a votação, embora sem as garantias habituais como uma junta eleitoral ou a possibilidade de um voto secreto, a presidente do Parlamento Carme Forcadell deu a entender que a agenda estava mantida.

Ao chamar a decisão do TC de "ato de extrema gravidade" que enfraquece "a liberdade de expressão" dos deputados, Forcadell disse que o Parlamento regional, dominado pelos independentistas, não permitirá a censura.

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