Battisti é solto e retorna a São Paulo

São Paulo, 7 Out 2017 (AFP) - O fugitivo da Justiça italiana Cesare Battisti, 62, ex-membro da guerrilha esquerdista e condenado por assassinato em seu país, foi libertado no Brasil, após ter sido detido pela polícia na fronteira com a Bolívia, informou seu advogado neste sábado.

"Ele foi libertado e retornou a São Paulo", declarou à AFP o advogado Marcio Palma.

Battisti, que permaneceu foragido por mais de três décadas, mas que vive em liberdade no Brasil desde 2010, foi detido na última quarta-feira pela polícia, e sua libertação foi ordenada nesta sexta-feira por um juiz.

Este novo capítulo de uma longa saga com questões diplomáticas e judiciais começou na quarta-feira, durante uma inspeção de rotina na cidade de Corumbá, fronteiriça com a Bolívia, quando a polícia prendeu Battisti e outros dois homens portando 6.000 dólares e 1.300 euros sem declarar.

Battisti declarou que sua intenção era comprar artigos de pesca, uma jaqueta de couro e vinho no Shopping China, que acreditava ficar em uma "zona internacional" que não pertenceria à Bolívia.

Ex-integrante do grupo Proletários Armados pelo Comunismo, Battisti foi preso em junho de 1979, mas fugiu da prisão e foi para a França em 1981 e, depois, para o México, antes de retornar à França.

Após 15 anos beneficiado pela política do presidente socialista François Mitterrand de não extraditar nenhum militante de extrema esquerda que tivesse renunciado à luta armada, Battisti fugiu para o Brasil em 2004, durante o governo do conservador Jacques Chirac.

Em 2007, foi capturado no Rio de Janeiro e ficou quatro anos na cadeia até ser libertado, em 2011.

Em 2009, a pedido de Roma, o Supremo Tribunal Federal autorizou a sua extradição, mas esta foi negada em 2010 pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no último dia de seu segundo mandato.

O atual governo brasileiro indicou que está reconsiderando a extradição de Battisti.

Em Brasília, uma fonte do gabinete do presidente Michel Temer disse que o mesmo estava "aguardando a posição dos ministérios da Justiça e das Relações Exteriores para tomar uma decisão.

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