Cristina Kirchner é intimada em processo por atentado à AMIA

Buenos Aires, 9 Out 2017 (AFP) - A ex-presidente argentina Cristina Kirchner (2007-2015) foi intimada para depor no dia 26 de outubro no processo que investiga um suposto acobertamento do atentado ao centro judaico AMIA em 1994 que matou 85 pessoas, informou nesta segunda-feira uma fonte judicial.

A denúncia havia sido apresentada pelo procurador Alberto Nisman, dias antes de ser encontrado morto em sua casa com um tiro na cabeça em 18 de janeiro de 2015.

Kirchner deverá comparecer quatro dias depois das eleições legislativas de 22 de outubro, nas quais se espera que ela se eleja senadora nacional, de acordo com as pesquisas.

Quando Nisman morreu, ele investigava há uma década o atentado à sede da Associação Mutual Israelita Argentina (AMIA), no bairro Once de Buenos Aires, que deixou 85 mortos e 300 feridos.

Ele explicaria ao Congresso sua denúncia contra Kirchner, a quem acusou de tentar encobrir os iranianos acusados pela Justiça argentina do atentado à AMIA, em troca de acordos comerciais.

A justiça ainda não conseguiu determinar se Nisman se suicidou ou se foi assassinado, como sustenta sua família e a comunidade judaica na Argentina, que vinculam sua morte ao seu trabalho no caso AMIA e à denuncia que formularia contra Kirchner.

Segundo a denúncia contra Kirchner, o instrumento para a manobra de acobertamento era a assinatura em 2013 de um memorando entre Argentina e Irã para formar uma comissão internacional investigadora que jamais se concretizou.

O acordo foi aprovado pelo Congresso argentino mas o Parlamento iraniano nunca o ratificou, motivo pelo qual não entrou em vigência.

Depois de ser rejeitada "por ausência de delito" em várias instâncias judiciais, a denúncia foi finalmente reativada em fevereiro.

Agora, o juiz do caso Claudio Bonadio, a quem Cristina Kirchner tentou destituir por mau desempenho durante seu governo, intimou a ex-presidente e o ex-chanceler Héctor Timerman, que deverá depôr no dia 17 de outubro.

Também foram intimados o ex-secretário de assuntos legais e técnicos da Presidência, Carlos Zanini e outros funcionários do governo de Cristina Kirchner.

O procurador federal Gerardo Pollicita pediu ao juiz que eles fossem citados ao considerar que existiu "um plano criminoso orquestrado e posto em funcionamento" cujo objetivo era "dotar de impunidade" os iranianos com pedido de prisão internacional após o atentado.

A Argentina solicita há mais de 10 anos a prisão de um grupo de suspeitos para interrogá-los, todos eles ex-altos funcionários iranianos, mas não há nenhum detido.

Teerã recusou em reiteradas ocasiões ceder os acusados para que sejam interrogados.

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